As dez melhores seqüências cinematográficas de todos os tempos

A marca da maldade

David Thomas, do Filmcritic fez uma bela lista com as dez melhores tomadas cinematográficas de todos os tempos, ou melhor, em inglês The Ten Best Tracking Shots Ever.

A lista começa com a mais memorável de todas e a primeira que me vem à cabeça, se alguém pergunta: A Marca da Maldade. Welles pode ser acusado de tudo, mas não de não saber dirigir ou de não ter uma visão cinematográfica arrojada. Para mim essa tomada explica a beleza do cinema em contas histórias. A câmera passeia pelo set, apresenta, meio que indiretamente os personagens, nos situa e vai para ação principal, para o primeiro ponto de virada. É belíssimo.

Eis a lista, minha opinião sobre os filmes e as seqüências:

1. A Marca da Maldade – Seqüência de Abertura: 3 minutos, 20 segundos

2. O Jogador – Seqüência de Abertura: 8 minutos, 5 segundos
É um dos melhores filmes de Robert Altman, e o que eu mais gosto. A cena de abertura é uma das mais inesquecíveis do cinema, mas lembra um pouco Marcar da Maldade, introduzindo as personagens, no situando no espaço fílmico, criando o clima da trama e apresentando o primeiro ponto de virando, e em torno do qual o ponto vai girar. Eu disse lembra, só que Altman consegue ir além, e faz a câmera passear pelo set com maestria.

O jogador

3. Olhos de Serpente – Seqüência de Abertura: 13 minutos, 2 segundos
Brian de Palma é mestre em criar belíssimas cenas de aberturas para filmes. Alguns de seus filmes devem ser vistos apenas pela abertura, já que o desenrolar não muitas vezes acaba não chegando nem ao pés dela. Parte disso é resultado de seu conhecimento sobre cinema que é transparece com claras citações em seus filmes, transpirando Hitchcock em várias delas. A abertura sozinha vale o filme, que nem de longe é o melhor filme de de Palma.

4. Filhos da Esperança – “Car Attack”: 4 minutos, 8 segundos
Minha culpa, minha máxima culpa, mas não vi o filme ainda. Não pelo diretor, e menos ainda pelo ótimo elenco, apenas “faltou” oportunidade para ver.

5. Os Bons Companheiros – Entrada do Copacabana: 3 minutos, 3 segundos
Suspeitem de mim para falar sobre um filme dirigido por Martin Scorsese. Sou fã incondicional de seus filmes e retruco de todos que disserem que seus filmes são violentos de mais, uma vez que a violência neles é sempre usada na medida certa e com razão. A seqüência apresenta a personagem e o seu modo de vida, transitando tranqüilamente em frente à câmera. É quase um choque comparado com boa parte do filme. Para quem não sabe, Scorsese é um grande conhecedor de cinema e história do cinema, talvez por isso eu aprecie ainda mais seus filmes.

6. Serenity – Abertura de Créditos: 4 minutos, 23 segundos
O filme de Joss Whedon, baseado na série de ficção científica Firefly é divertidíssimo, se você entrar no clima e não levá-lo tão a sério. Não era para ser tão divertido, mas eu achei, talvez porque eu adore ver mulheres lutando em filmes. A abertura que mostra a nave e seus tripulantes é muito bem feita, e não chega a destoar do restante do filme, que embora bem feito, não tem lá uma grande história. É pura e boa diversão.

Serenity

7. Muito barulho por nada – Cena final: 2 minutos, 38 segundos
Mais uma das várias adaptações de Shakespeare que Kenneth Branagh levou ao cinema. Gostei das outras e gosto muito dessa. Muito barulho por nada é uma comédia com tons de drama, cheia de personagens e pequenas tramas. É um deleite para tardes de domingo ou qualquer dia em que queira ver um bom filme, sem ter que pensar muito. Isso não quer dizer que o filme não seja inteligente ou interessante, apenas que é gostoso de ver quando não se quer muito compromisso e prazer garantido. A seqüência final apresenta uma alegria quase pueril, das personagens cantando uma canção e dançando através dos labirintos de plantas e árvores, em um tomada que ao poucos se afasta em plongée.

8. Interlúdio – Revelação da chave: 35 segundos
Se a lista incluísse abertura de créditos e não somenta as tomadas, eu coloria várias das maravilhosas aberturas de créditos feitas por Saul Bass para os filmes de Hitchcock na lista. Famoso por ser o mestre do suspense, Hitchcock sabia criar tensão com maestria, e é esse o motivo dessa seqüência estar na lista. Durante os trinta e cinco segundos em que Ingrid Bergman desce a escadaria com a chave na mão o espectador começa a apertar o que estiver a mão, como a atriz segurando a chave.

9. Contato – Seqüência de Abertura: 2 minutos, 41 segundos
Mais um que eu não vi. Para falar a verdade eu vi, o fim. Já sei como termina, mas não sei como começa, e como é o início que é citado, vou me abster de comentar.

10. Confissões de uma Mente Perigosa – “Pitching The Dating Game“: 1 minuto, 6 segundos
E por fim, mais um que não vi, mas esse já está devidamente incluído na lista do “para ver”.

Interlúdio

Como você deve ter percebido, mesmo alguns filmes que não tão bons podem ter cenas de aberturas tão bem feitas que valem pelo filme. E com uma bela abertura é possível apresentar as personagens, situar o espectador, fazê-lo entrar no clima e apresentar a trama. Aliás, o melhor é apresentar as personagens e a trama logo no início do filme, e você deve ter percebido que é isso que acontece em quase todo filme.

Bela lista, mas senti falta de filme europeus e eu tenho certeza de que já vi filmes europeus com seqüências mais memoráveis. Uma das que senti falta foi Verão Violento do mestre italiano Valerio Zurlini. Eu ainda prefiro a A moça com a valise por achar mais poético, mas a abertura de Verão Violento é impressionante e só me dei conta ao relatá-la. Como vi há vários anos na Mostra, meu relato pode não ser tão fiel. O filme começa com barco chegando e algum evento que junta várias pessoas no porto, enquanto a câmera em travelling aos poucos se afatasta. Pode não parecer tão impressionante nessa descrição, mas o impacto visual no cinema o é. O filme já saiu em DVD aqui no Brasil para quem quiser conferir.

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