Calvinball no 1º dia de venda de pacotes para a 31ª Mostra

Calvinball (Calvinbol)

Calvin e Haroldo, Calvin and Hobbes no original, foi uma das mais memoráveis tirinhas de quadrinhos já escritas. Estrelada por um garoto e seu tigre de pelúcia, o quadrinho era recheado de tiradas geniais, que conseguiam e ainda conseguem entreter crianças e adultos. Aliás sugiro a todos os adultos que já leram Calvin anos atrás a reler, uma vez que boa parte das tiras são mais profundas e divertidas do que aparentam.

Faço essa breve introdução para falar de um esporte criado pelo Calvin, o Calviball, conhecido como Calvinbol em português. As regras são muito simples: as regras mudam a todo momento e nenhum jogo é igual ao outro. Então de um momento para o outro, uma nova regra é introduzida. Foi mais ou menos a sensação que tive hoje durante o tempo que estive tentando comprar minha permanente na Central da Mostra.

Cheguei às 10h50 da manhã, e meu namorado já estava na fila, com o contrato para adquirir o pacote de 20 ingressos número 208, sendo que o limite é de 250 credenciais por pacote. A fila era um tanto assustadora, quase como a do ano passado, mas era apenas a fila para pacote de 20. Havia mais duas filas, uma para quem fosse comprar os pacotes de 40 e outra para as permanentes e as especiais. Fui informada que “a fila menor é a para comprar a integral” e para lá me encaminhei.

A fila monstro inicial devia-se ao fato de que o sistema estava fora do ar, e por isso as filas não andavam. E o sistema continuou fora do ar por algum tempo. Muitos minutos percebi que a minha fila não andava, ao passo que a de 40 ingressos havia quase sumido. Um dos motivos era que os idosos acabam iam para a frente da minha fila. Tudo bem, vai andar mais rapido logo, eu pensei. Engano, ledo engano.

Descobri quase uma hora depois que estavam passando várias pessoas da fila de 20 ingressos na frente do pessoal da fila da permanente, basicamente porque aquela primeira não andava. De fato, eu vi que não andava, pois enquanto estava próxima ao “caixa” por assim dizer, observei que enquanto várias pessoas da minha fila dirigiam-se para tirar fotos, a fila de 20 não se moveu. Só muito depois é que fui saber que o computador separado para efetuar as vendas desses pacotes havia dado problema, e por isso estavam redirecionando o pessoal para os outros computadores e filas. A partir daí começou o Calvinball.

A fila de 40 ingressos sumiu e quem chegasse a partir daquele momento deveria ficar na assustadora fila de 20. Ou seja, a regra das filas acabou mudando. Mas a pior parte ainda está por vir: as fotos. Todo ano há uma pequena espera para as fotos, que diminuiu ano passado, graças às fotos digitais, ao invés da maniquinha de foto automática. Esse ano foi a bagunça. Ao me dirigir para a fila para tirar a foto encontrei um aglomerado de pessoas: mas onde era fila? Descobri perguntando para a moça que estava na minha frente: “é aqui mesmo”. Quase nada de fila.

Depois da foto, que foi tirada logo depois, sem quase nenhuma espera, uma segunda fila, para pegar uma senha, uma das fotos que sobrou e entregar o contrato, provavelmente para pegar o nome. Parecia simples, mas foi então que descobri o motivo da bagunça. Havia um pequeno espaço para espera das fotos, das pessoas que iam pegar o crachá e daquelas que iam entregar o contrato e pegar a senha. Adicionado a isso, junte a falta de organização em um pequeno espaço, onde contratos acabam empilhados, porque em algum momento o sistema deu problema, ou ele é ruim mesmo, pessoas recebem credencial com nome ou foto errada, e os nervos dos que estavam na fila desde às 6 da manhã (sim, havia gente desde essa hora lá) começaram a aflorar.

O gênio que teve essa idéia esse ano mereceria levar um croque, pois ano passado era muito mais simples: preenchimento do cadastro, pagamento, ir tirar foto, pegar a foto e voltar para fazer o crachá. A demora era o tempo da foto e do crachá. Filas separadas que evitavam o aglomeramento de pessoas num único lugar e o crachá era feito na sua frente. Vale frisar que a fila era única, portanto que chegasse antes era atendido antes, o que faz muito mais sentido para mim.

A confusão em frente ao local de entrega das credenciais / local onde se tira as fotos devia-se ao atraso absurdo. Havia dezenas de pessoas lá esperando há muitos e muitos minutos a entrega das credenciais, contratos e RGs. Mas uma vez que eu tinha uma senha, não precisava ficar lá e ver as pessoas que começavam a gritar e ameaçar os monitores. Fui olhar a fila de 20 que havia andado um pouco e voltei. Tinham decido entregar os RGs e quem quisesse ir embora poderia pegar a credencial mais tarde ou outro dia, mas nem todos haviam entregue o RG. Peguei o meu e fui andar mais um pouco. Na volta vi que os seguranças tinham sido chamados para conter os mais nervosos, porém, não passou disso e eles só ficaram lá observando.

Descobri então que as regras tinham mudado: “tem que entrar na fila”, disse uma das monitoras. Entrei. Pouco depois descobri que não adiantava nada, pois estavam chamando conforme as credenciais que ficavam prontas. Só que era Calvinball, então a regra tinha mudado: quem tinha entregue o nome para uma das monitoras recebia o crachá antes. Claro que no momento que pegaram os nomes eu tinha ido andar. No meio de monitores gritando os nomes das pessoas, pessoas reclamando que vários outros que estavam atrás na fila já tinham ido embora, pessoas sem saber onde tirava a foto e vários outros fazendo piada da falta de organização, apareceu outra monitora perguntando os nomes.

Agora alguém pergunta: mas e a senha? Pois é, Calvinball! As senhas não significavam mais nada, e os mais irados já tinham recebido as credenciais. Muita gente que cujo crachá ficara pronto já tinha ido embora antes. Ao meu lado uma senhora que estava lá desde as 7 da manhã, e ainda sem a credendial começava a passar mal. Muito mais de uma hora depois de tirar a foto, pegar senha e entregar o contrato, ir andar, entrar na fila e dar o nome para uma segunda lista eu consegui pegar a minha credencial. Das 11 da manhã às duas da tarde de pé, sem comer, com os pés doendo e sem ter onde sentar durante esse tempo todo.

Por volta de duas e meia chegou a vez do meu namorado na fila de 20 ingressos. O processo até foi rápido e eu já sabia onde ele deveria ir tirar a foto. Ele teve que esperar mais algumas pessoas, não teve que deixar o RG lá como eu, tirou as fotos, pegou-as e levou ao mesmo lugar onde fez a inscrição do pacote, e não no meio da bagunça onde eu entreguei. Perguntaram se ele queria esperar ou pegar o crachá depois. Ir embora pareceu uma ótima idéia. Eram aproximadamente duas e meia da tarde.

Em todos esses anos participando da Mostra e comprando os pacotes no primeiro dia, eu nunca vi tanta desorganização e problemas. Nunca fiquei tanto tempo esperando para pegar o crachá depois de pagar. E eu nem fiquei na fila de 20 ingressos. Espero que amanhã, quando for pegar a credencial dele, junto com os vales de ingresso as coisas tenham se normalizado por lá.

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