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	<title>Cinematógrafo&#187; críticas</title>
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	<description>Cinema, história e links.</description>
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  <title>Cinematógrafo</title>
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		<title>N de Ninja Assassino</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 03:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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Alguns filme tentam se vender através do título, muitas vezes dando uma idéia errado do que esperar, principalmente os títulos brasileiros. Esse não é o caso de Ninja Assassino que chegou nas telas semana passada. O filme cumpre o que promete, ao menos em termos: tem ninjas, muitos ninjas assassinos, shurikens, espadas e ação. E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Ninja Assassino" rel="lightbox[pics2990]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_02.jpg" rel="lightbox[2990]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2992 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_02.jpg" alt="Ninja Assassino" width="550" title="N de Ninja Assassino" /></a></p>
<p>Alguns filme tentam se vender através do título, muitas vezes dando uma idéia errado do que esperar, principalmente os títulos brasileiros. Esse não é o caso de <em><a title="Ninja Assassin - Wikipédia, a enciclopédia livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ninja_Assassin">Ninja Assassino</a></em> que chegou nas telas semana passada. O filme cumpre o que promete, ao menos em termos: tem ninjas, muitos ninjas assassinos, shurikens, espadas e ação. E é basicamente isso: diversão pura conforme o título indica. Mas não espere mais do que isso.</p>
<p>Na direção desse suspense de ação vem o australiano James McTeigue, quatro anos depois de seu trabalho em <em><a title="V for Vendetta (filme) - Wikipédia, a enciclopédia livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/V_for_Vendetta_(filme)">V de  Vingança</a></em>, ambas produções de dos irmãos Wachowski (Larry  e Andy) e Joel Silver. O filme vem como uma grande produção, com o que parecia ser um bom diretor, só que não chega a ser um <em>Vendetta</em>, que eu também não considero perfeito diga-se de passagem. No fim das contas a impressão que se tem é que está mais para <em>The Matrix Reloaded</em>. Felizmente não chega a ser <em>The Matrix Revolutions</em>, do qual todos nós poderíamos ter passado sem.</p>
<p><em><a title="Ninja Assassin (2009)" href="http://www.imdb.com/title/tt1186367/">Ninja Assassino</a></em><em> </em>conta a história de Raizo: treinado desde criança para ser um matador impiedoso e hábil. Seu treinamento no Clã Ozunu é realizado junto com dezenas de outras crianças, órfãs ou vendidas pelas familias. O garoto é criado em um mundo onde a vida de um homem vale menos que a do seu clã, onde não existe lugar para a fraqueza ou piedade.</p>
<p><span id="more-2990"></span>O tempo passa, Raizo cresce, torna-se incrivelmente habilidoso, mas um desfecho trágico faz com que ele se rebele contra o treinamento do clã. Fugido, vivendo escondido, ele agora busca vingança contra seus &#8220;irmãos&#8221; de clã, e principalmente seu &#8220;pai&#8221;, o mestre Ozuno.</p>
<p>Enquanto isso em Berlim dois agentes da Europol, Mika Coretti (Naomie Harris) e Ryan Maslow (Ben Miles), investigam uma série de assassinatos políticos misteriosos e violentos, que de certo modo se ligam com grandes movimentações financeiras. Através de investigações Mika acaba ligando esses assassinatos a nove clãs de ninjas, em especial o Ozuno, e passa a ser o próximo alvo.  Salva por Raizo, a dupla passa então a ser perseguida, enquanto tentam  ganham a confiança mútua.</p>
<p style="text-align: center;"><a title="Ninja Assassino" rel="lightbox[pics2990]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_04.jpg" rel="lightbox[2990]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2994 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_04.jpg" alt="Ninja Assassino" width="550" title="N de Ninja Assassino" /></a></p>
<p>O filme começa com a lenda de uma carta sem mensagem, contendo areia  negra, enviada por um ninja matador invisível que surge das sombras. A  partir daí prepare-se para banhos de sangue por todos os lados, e cenas  tão absurdas que a solução mais óbvia para mim foi rir. O que aliás eu  faço sempre nas cenas de matança dos filmes do Tarantino e afins.</p>
<p>Falando em Tarantino, você se lembra da cena de <em><a title="Kill Bill - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kill_Bill">Kill Bill</a> </em>no restaurante com a noiva  (Uma Thurman) e os<em> Crazy 88</em>? Pois é, <em>Ninja</em> tem mais  sangue, bem mais sangue, mais violência, pedaços voando para todos os  cantos, no estilo <em>gore</em>, sem os diálogos geniais, e menos poesia no decorrer do filme.  Devido ao grau elevado de violência, que com certeza não agradará aos  mais sensíveis, não é certo que os fãs do cinema de artes marciais  apreciarão o filme.</p>
<p>A roteiro vem sem surpresas, cheio de cenas previsíveis, mas com várias falas no argumento. Algumas partes da história são muito mal explicadas, e não fazem sentido. Adicione a isso vários personagens planos e pouco interessantes. Mas o filme não é ruim, pois afinal, tratando-se de um filme de ação é preciso destacar seus principais atributos: as cenas de ação e a intriga.</p>
<p>Pulando a parte da intriga, que também não é a mais genial, a parte da ação prende a atenção com dezenas de sequências de lutas bem feitinhas. Ninjas se movendo nas sombras, saltando, combatendo e shurikens voando para todos os lados. Bonitas coreografias, porém, vale dizer que o filme nem de longe tem as melhores sequências de lutas que já se viu nas telas. Não tem o balé gracioso do cinema chinês, nem Rain, o ator que faz Raizo, é Bruce Lee. E se você já viu Lee em ação nas telas, provalmente ficará com saudade dos filmes dele em muitos momentos.</p>
<p>No elenco de ninjas, supostamente japoneses, vêm dois coreanos que já   trabalharam com os irmãos  Wachowski em filmes anteriores: Randall Duk   Kim (<em><a title="The Matrix Reloaded - Wikipédia, a enciclopédia  livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Matrix_Reloaded">The Matrix   Reloaded</a></em>), no papel do mestre tatuador, e Rain (<em><a title="Speed Racer (filme) - Wikipédia, a enciclopédia livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Speed_Racer_(filme)">Speed Racer</a></em>),   como Raizo. Rain é um astro pop em todos os seus sentidos: além de  ator  ele é também cantor, dançarino, modelo, designer e homem e de  negócios.  Mas felizmente ele atuado bem melhor do que a média de  modelo&amp;atriz  que vemos por aí.</p>
<p style="text-align: center;"><a title="Ninja Assassino" rel="lightbox[pics2990]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_01.jpg" rel="lightbox[2990]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2991 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/Ninja_assassino_01.jpg" alt="Ninja Assassino" width="550" title="N de Ninja Assassino" /></a></p>
<p>Se você é fã do gênero, deverá reconhecer também Sho Kosugi, como o   mestre  Ozuno. O ator participou de vários outros filmes e seriados de   ninja da década de 1980. Ingressou no mundo das artes marciais com   apenas cinco anos e aprendeu: caratê, judô, kendo, aikido, iaidō,   ninjutsu e taekwondo. Cheio de habilidades como um verdadeiro ninja,   acabou ganhando o mais do que merecido apelido de &#8220;o  ninja invisível&#8221;.</p>
<p>No fim das contas, eu até que gostei do filme. Diverti-me um bocado com a ação e o absurdo, mas é fato de que me propus a ver um filme de ninja como um simples filme de ação, apreciando-o com humor em várias partes, sem esperar muito mais por isso. Não esperava grandes diálogos, personagens muito bem desenvolvidos nem grandes tiradas. Sim, pode-se dizer que diminuí as minhas expectativas. Mas é preciso lembrar que cinema também foi feito para entreter, não apenas para refletir. E contanto que não tentem ofender a minha inteligência, ou apareçam com diálogos grosseiros, e situações preconceituosas, como muitas das comédias faz hoje em dia, uma meia dúzia de clichês com boa ação não faz mal.</p>
<p>Para apreciar <em>Ninja</em> é preciso mais do que gostar de filmes de   ação, é preciso não se importar com a violência exagerada. Você pode  aproveitar para assistir ao filme como um grande filme de ação, levá-lo a  sério, e sair desapontado do cinema. Ou esquecer isso e começar a se  divertir, como se estivesse vendo uma versão com mais pancadaria/sangue  (e bem menos engraçada devo dizer) de <em><a title="Zatoichi - Wikipedia,  the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Zatoichi">Zatoichi</a></em>.</p>
<p>E talvez esse seja mais um dos erros do filme: se levar a sério demais, mais do que o sangue jorrando por todos os cantos. Ou eles deveriam ter caprichado mais no roteiro e nas personagens, ou deveriam ter usado um pouquinho de humor, uma vez que a maior parte das cenas de luta parecem irreais. Por que não fazer piada delas como eu fiz? Por essas e outras <em>Ninja Assassino</em> ainda não é o filme de ninjas definitivo que tanto alguns esperavam. Mas quem é que consegue resistir a um filme cuja premissa envolve ninjas,  shurikens e espadas?</p>
<p><a title="Cartaz de Ninja Assassino" rel="lightbox[pics2990]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/ninja_poster.jpg" rel="lightbox[2990]"><img style=' float: left; padding: 4px; margin: 0 7px 2px 0;'  class="attachment wp-att-2997 alignleft" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2010/02/ninja_poster.thumbnail.jpg" alt="Cartaz de Ninja Assassino" width="138" height="200" title="N de Ninja Assassino" /></a><em><a title="Ninja Assassin - Wikipédia, a enciclopédia livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ninja_Assassin"></a></em></p>
<p><em><a title="Ninja Assassin - Wikipédia, a enciclopédia livre" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ninja_Assassin">Ninja Assassino</a></em> (<a title="Ninja Assassin (2009)" href="http://www.imdb.com/title/tt1186367/">Ninja Assassin</a>) (2009)</p>
<p><strong>Site:</strong> <a title="Ninja Assassino" href="http://www.ninjaassassinoofilme.com.br">Ninja Assassino</a> (em português)<br />
<strong>Trailer:</strong> <a title="YouTube - Ninja Assassino - Trailer" href="http://www.youtube.com/watch?v=hVwYuz3mbKs">Ninja Assassino &#8211;  Trailer</a> (em português)<br />
<strong>Direção:</strong> James McTeigue<br />
<strong>Elenco:</strong> Rain, Naomie Harris, Shô Kosugi, Rick Yune, Ben Miles e Randall Duk Kim<br />
<strong>Distribuidor:</strong> Warner Bros.<br />
<strong>Nota:</strong> 5/10</p>]]></content:encoded>
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		<title>2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 17:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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Ontem, mais um vez comecei aproveitando o dia na Mostra Internacional de Cinema um pouco depois do planejado. Acabei mudando os meus planos há alguns dias, mas como não há mais a troca de ingressos &#8211; apenas no caso da própria Mostra mudar os horários -, escolhi arriscar e retirar novos ingressos no dia, na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="O Fantástico Sr. Raposo" rel="lightbox[pics2561]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/FMF-00031.jpg" rel="lightbox[2561]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2562 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/FMF-00031.jpg" alt="O Fantástico Sr. Raposo" width="500" title="2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º" /></a></p>
<p>Ontem, mais um vez comecei aproveitando o dia na <a title="Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/">Mostra Internacional de Cinema</a> um pouco depois do planejado. Acabei mudando os meus planos há alguns dias, mas como não há mais a troca de ingressos &#8211; apenas no caso da própria Mostra mudar os horários -, escolhi arriscar e retirar novos ingressos no dia, na sala do cinema.</p>
<p>Cheguei para a sessão de <em><a title="O FANTÁSTICO SR. RAPOSO - FANTASTIC MR. FOX - 33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=192">O Fantástico Sr Raposo</a></em> bem em cima da hora, achando que a sala estaria lotada no HSBC Belas Artes. Para a minha surpresa, não só não havia fila para a compra de ingressos, como havia ingressos e ainda consegui escolher, bem onde sentar. Está certo que eu gosto de ficar perto, mas de qualquer forma havia lugar de sobra no restante da sala.</p>
<p>O filme conta a história de uma família de raposas, cujo pai, o Sr. Raposo com a voz de George Clooney, quer mudar de vida, sentir-se menos pobre, e por isso decide mudar. E como mudar não é o bastante, cria um plano brilhante, à primeira vista, para realizar seus desejos. As coisas complicam e ele acaba causando problemas para a família e vizinhos.</p>
<p>O novo filme de Wes Anderson foge um pouco dos seus trabalhos anteriores. Seus personagens continuam fugindo do padrão e surpreendendo, mas <em>O Fantástico Sr. Raposo</em> é uma animação. Não só isso, uma animação baseada no livro de Roald Dahl. Usando <em>stop-motion</em> para adaptar o livro, mais para o gosto dos adultos, o resultado visual da animação é muito bom e divertido. Lembra muito as animações antigas européias, principalmente a excelente obra de <a title="Jiří Trnka - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ji%C5%99%C3%AD_Trnka">Jiří Trnka</a>, só que mais aprimorado na questão da animação, graças às novas técnicas. O som do filme, captado em ambientes parecidos aos das personagens, é outro ponto positivo.</p>
<p>Como filme, a história consegue manter o bom humor, com algumas surpresas, para quem não leu o livro. Há boas falas, que ganham força e vida com a voz dos atores. Gostei muito do resultado visual do filme, com um incrível grau de detalhes, e das personagens, todas cheias de personalidade, do som, do estilo da animação. Só esperava mais da história, culpa minha provavelmente. Recomendo filme com certeza, mas por favor tente vê-lo legendado, ou o filme perderá metade do seu charme.<span id="more-2561"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a title="Sussuros ao Vento" rel="lightbox[pics2561]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/sussuros_vento.jpg" rel="lightbox[2561]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2563 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/sussuros_vento.jpg" alt="Sussuros ao Vento" width="500" title="2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º" /></a></p>
<p>Segui o dia com uma sessão mais vazia, com o filme iraquiano <em><a title="SUSSUROS AO VENTO - SIRTA LA GAL BA - 33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=304">Sussuros ao vento</a></em>. Dirigido por Shahram Alidi, o filme conta a história de Mam Baldar , que registra em seu gravador mensagens das pessoas que vivem nas aldeias das montanhas do Curdistão iraquiano, e leva para os outros. Um filme poético, sobre a força do registro oral, das tradições e da determinação de um povo, que mesmo perseguido e expulso de suas terras, não perde a fé de continuar em frente.</p>
<p>O filme é muito bonito, com uma fotografia encantadora, resultante das paisagens e enquadramentos. Com um ritmo mais lento, como seus vizinhos iranianos, a história se desenvolve sem pressa, expondo os acontecimentos, as pessoas, o lugar. É não só um registro dessas vozes, que parecem sussurrar por onde Baldar passa, é um registro visual desse povo, de onde vivem, e das coisas terríveis que vem acontecendo com eles. O som é um show à parte, por isso veja em uma sala com um bom sistema de som, já que esse é o principal elemento do filme.</p>
<p style="text-align: center;"><a title="Mother (Madeo)" rel="lightbox[pics2561]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/mother.jpg" rel="lightbox[2561]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2565 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/mother.jpg" alt="Mother (Madeo)" width="500" title="2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º" /></a></p>
<p>A sessão seguinte merecia uma sala mais cheia mesmo. O coreano <em><a title="MOTHER - MADEO - 33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=211">Mother</a></em>, dirigido por Bong Joon-Ho surpreende, fugindo do convencional e do previsível, como os filmes coreanos em geral que chegam por aqui. O filme fala da relação da mãe solteira Hye-ja, extremamente apegada a seu filho Do-joon, uma criatura ingênua e um tanto estúpida. Quando seu filho é preso por um crime que não cometeu, Hye-ja sai em busca do verdadeiro criminoso.</p>
<p>O filme passeia por momentos cômicos, explorando a ingenuidade do rapaz, e tensão, quando a mãe parte em busca de respostas que a levem ao real culpado. O suspense se mantém até o final do filme, graças ao roteiro sólido e a construção de suas personagens. O  método de busca dessa mãe, e os caminhos trilhados por ela, revelam aos poucos como os dois são mais parecidos do que pensávamos. Revelam também toda uma trama por trás da morte da moça, e pouco a pouco a inocência das personagens vai sumindo.</p>
<p>O filme tem ritmo, ótima fotografia, precisão dos enquadramentos, trama interessante e força na atuação da personagem da mãe. Ela nos convence de sua obsessão, e de seu amor incondicional pelo filho. Uma mãe de verdade, pronta para tudo para provar a inocência do filho, mesmo que sua sanidade seja questionada. Foge do habitual também o final, resultando em um filme brilhante.</p>
<p><a title="Natimorto" rel="lightbox[pics2561]" href="../wp-images/2009/10/still-natimorto-01.jpg" rel="lightbox[2561]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter" src="../wp-images/2009/10/still-natimorto-01.jpg" alt="Natimorto" width="500" title="2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º" /></a></p>
<p>À noite o Frei Caneca sim estava com cara de Mostra. Tudo lotado. Ia trocar de sessão para ver <em><a title="NATIMORTO - 33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=207">Natimorto</a> </em>outro dia, mas a outra sessão estava lotada. Filas pra todos os lados. E se você planeja assistir filmes por lá à noite nos próximos dias, compre seus ingressos bem mais cedo.</p>
<p><em>Natimorto</em> é um filme autoral quase em seu sentido puro. O autoral aqui vem através da direção fortemente marcada, sim, mas vem principalmente do autor do livro homônimo no qual é baseado: Lourenço Mutarelli. Há algum tempo ele vem namorando com o cinema, através da adaptação de seus livros e atuações. Essa relação começou com um grande filme, o <a title="Cheiro do Ralo - O Filme" href="http://www.ocheirodoralo.com.br/"><em>Cheiro do Ralo </em></a>, e goste ou não, tem estilo. Mutarelli fez uma ponta no filme, e de lá para cá já atuou em mais 4. Dos cinco, 3 foram adaptações de seus livros ou personagens.</p>
<p>As personagens de Mutarelli são homens claramente perturbados, tímidos, que pensam demais, falam demais e fumam demais. Demais não traduz o quanto as personagens fumam em <em>Natimorto</em>. A fumaça e o cigarro são tão presentes no filme, que chegam a enjoar o espectador.</p>
<p>O filme transpira cigarro e Mutarelli através de sua presença na tela: é um filme de uma obra dele, com uma personagem que é quase a síntese de suas personagens, com ele mesmo fazendo esse papel. E se não fosse o diretor, seria um filme dele. A passagem do livro para a tela com tanta fidelidade provavelmente é resultado de uma ótima interação diretor-ator/autor.</p>
<p><em>Natimorto</em> apresenta um caça-talentos que realiza o fracasso de seu casamento depois de trazer para São Paulo uma jovem cantora lírica.  Assustado com o mundo e a forma com a qual as pessoas lidam com ele, tratando o como se não existisse, ele decide viver os próximos anos de sua vida trancado em um quarto de hotel, isolado do realidade. Seu único contato com o mundo passa a ser a cantora, que vai vem depois de encontros com o maestro, e os maços de cigarro que pede para entregar de manhã. É nos maços de cigarro que começa sua loucura, associando as imagens da campanha anti-fumo com as cartas do tarô, e tentando prever como será o seu dia através delas.</p>
<p>O espectador aos poucos vai se sentindo claustrofóbico com tensão que se passa apenas no quarto de hotel. O que vê é apenas um quarto de hotel com um homem obcecado por imagens, tentando prever o futuro através delas obcecadamente. A vida da personagem passa a girar em torno do cigarro: o cigarro que chega todos os dias, o cigarro que não pára de acender, o cigarro espalhado pelo chão e a constante fumaça que o entorpece.</p>
<p>O filme é forte, mas algo para mim não funcionou. Não compro a idéia de que as cartas do  tarô podem prever o futuro, e cada vez que a personagem citava isso, a minha reação era o riso. Há algo também na atuação durante os diálogos, que parecem ser recitados, como se os atores estivessem no teatro. As cenas que mais gostei foram aquelas em que nada é dito, e a câmera conta a imagem por si mesma.</p>
<p style="text-align: center;"><a title="Julie &amp; Julia" rel="lightbox[pics2561]" href="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/julie_julia.jpg" rel="lightbox[2561]"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="attachment wp-att-2566 centered aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2009/10/julie_julia.jpg" alt="Julie &amp; Julia" width="500" title="2º dia da 33ª Mostra e sugestões para o 3º" /></a></p>
<p>Terminei a noite com aquilo que costumo chamar de filme de menina, e que não faz parte dos meus favoritos. Fui ver o novo filme de Nora Ephron, <em><a title="JULIE &amp; JULIA - 33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=259">Julie &amp; Julia</a></em>, por dois motivos principais: comida e Meryl Streep. Tinha ouvido ótimos comentários sobre a sua atuação, e estavam certos, ela mais uma vez atua como Meryl Streep atua, de forma brilhante.</p>
<p>O filme faz um paralelo entre Julia Child, autora de um dos grandes clássicos já publicados sobre culinária nos Estados Unidos <em><a title="Mastering the Art of French Cooking - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mastering_the_Art_of_French_Cooking">Mastering the Art of French Cooking</a></em>, e Julie Powell que anos atrás criou um blog publicando sua experiência de fazer todas as receitas do livro de Julia em um ano. <em>Julie &amp; Julia</em> apresenta a vida dessas duas mulheres que descobriram as suas paixões e um novo rumo para suas vidas através da culinária.</p>
<p>O filme é bonitinho conforme o esperado: há momentos românticos, de frustrações, conversas de mulher, bons diálogos, humor e drama. A arte do filme é um capítulo a parte: a recriação da França do final dos anos 40, figurino, e cenários, incluindo utensílios de cozinha, com uma linda fotografia que a ressalta esses elementos, dão o charme ao filme. É tudo muito agradável de se ver.</p>
<p>A comida, que motiva essas duas mulheres que vivem em épocas diferentes, também me motivou a ir. Não desaponta, embora eu esperasse mais cenas, e mais detalhes disso. E uma boa parte dos diálogos, das piadas e do visual vai funciona muito melhor com aqueles que apreciam os prazeres da mesa.</p>
<p>E claro, não posso deixar de falar de Meryl Streep que está perfeita no papel de de Julia Child. É todo um trabalho para ter a voz, os gestos, os tiques e a altura de Julia. Você a vê na tela através da atriz. E mesmo que você não seja fã de culinária como eu, ela vale o ingresso do filme, se não agora, quando estrear nos cinemas.</p>
<p>Seguem abaixo algumas dicas e apostas sobre o que assistir <a title="33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_prog.php?prog=25">hoje</a> na Mostra. Para amanhã eu já sugiro a<a title="Cinemateca Brasileira" href="http://www.cinemateca.com.br/"> Cinemateca Brasileira</a> e a abertura da <a title="33ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/exib_destaque.php?destaqueId=259&amp;language=pt">instalação de Ingmar Bergman</a>. Bons filmes.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;">Dicas para o terceiro dia da Mostra</span></h3>
<p><em>35 Doses de Rum</em> (35 Shots of Rum), de Claire Denis</p>
<p><em>500 Dias Com Ela</em> (500 Days of Summer), de Marc Webb</p>
<p><em>A Fita Branca</em> (Das Weisse Band), de Michael Haneke</p>
<p><em>A Todo Volume</em> (It Might Get Loud),de Davis Guggenheim</p>
<p><em>Abraços Partidos</em> (Los Abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar</p>
<p><em>Adam</em> (Adam), de Max Meyer</p>
<p><em>Alexandre, O Último</em> (Alexander The Last), de Joe Swanberg</p>
<p><em>À Procura de Elly</em> (Darbareye Elly), de Asghar Farhadi</p>
<p><em>À Procura de Eric</em> (Looking For Eric), de Ken Loach</p>
<p><em>Ervas Daninhas</em> (Les Herbes Folles), de Alain Resnais</p>
<p><em>Metropia</em> (Metropia), de Tarik Saleh</p>
<p><em>Mother</em> (Madeo), de Bong Joon-Ho</p>
<p><em>O Fantástico Sr. Raposo</em> (Fantastic Mr. Fox), de Wes Anderson</p>
<p><em>O Inferno de Clouzot</em> (L’Enfer D’Henri-Georges Clouzot), de Serge Bromberg, Ruxandra Medrea</p>
<p><em>O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus</em> (The Imaginarium Of Doctor Parnassus), de Terry Gilliam</p>
<p><em>Tokyo! </em>(Tokyo!), de Michel Gondry, Leos Carax, Bong Joon-Ho</p>
<p><em>Vício Frenético</em> (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans), de Werner Herzog</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sonata de Tóquio salva o dia</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 06:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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Na segunda-feira decidi que era melhor segurar um pouco o gás para ver filmes, principalmente os que não fazia tanta questão de ver no cinema e podia ver no vídeo, e escrever mais sobre a Mostra e eventos que acontecem na Mostra. Pulei dois filmes, fiquei numa estranha fila para uma 2ª, meio da tarde, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Adoração" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=264"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-801 aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/adoracao.jpg" alt="Adoração" width="450" height="278" title="Sonata de Tóquio salva o dia" /></a></p>
<p>Na segunda-feira decidi que era melhor segurar um pouco o gás para ver filmes, principalmente os que não fazia tanta questão de ver no cinema e podia ver no vídeo, e escrever mais sobre a <strong>Mostra</strong> e eventos que acontecem na <strong>Mostra</strong>. Pulei dois filmes, fiquei numa estranha fila para uma 2ª, meio da tarde, provavelmente causada pela decisão de algumas pessoas que escolheram começar a Mostra naquele dia, e fui almoçar. Regra número um: nunca passar fome na Mostra ou outros festivais. Fome me dá sono e daí eu não vejo filme algum. A idéia de ganhar tempo para ver mais resulta em menos filmes realmente vistos.</p>
<p>Parti direto para o último filme do diretor canadense Atom Egoyan: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=264">Adoração</a></em> (2008). Eu gosto dos filmes dele, da narrativa lenta, do mistério que se apresenta no começo e só no fim é resolvido, dos diálogos cheio de questionamentos filosóficos, ou que às vezes param na intenção, e do modo como ele tenta mostrar os dois lados do problema. Digo que gosto porque o seu estilo pouco muda nos filmes. Se não gostou de um duvido que goste dos outros. Simples assim.</p>
<p><em>Adoração</em> questiona até que ponto alguém chega em busca de atenção e em busca da verdade. Simon, um adolescente que mora com o tio, começa a explorar uma mentira através da tradução de <em>uma reportagem sobre um terrorista que plantou uma bomba na bagagem da namorada grávida</em>. Instigado pela professora a ir mais fundo e escrever uma peça sobre isso, ele começa a repassar como verdade através de video-chat. A história que começa confusa vai aos poucos se resolvendo, mas não é das mais entusiasmantes já escritas por Egoyan.</p>
<p><span id="more-800"></span>O debate sobre atentados, que obviamente é uma reflexão sobre atentados terroristas no mundo, especialmente EUA, acaba ficando vago, e a história do passado de Simon também não é forte o bastante para impressionar o público. A parte realmente mais interessante é como a internet transforma anônimos em famosos, e abre espaço para todos darem seu relato, verdadeiro ou não, alterando a própria verdade. Apesar de tudo o filme é bonito, mas fraco.</p>
<p style="text-align: center;"><a title="O Clone volta pra casa" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=355"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-803 aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/clone_volta.jpg" alt="O Clone volta pra casa" width="450" height="300" title="Sonata de Tóquio salva o dia" /></a></p>
<p>Meu dia terminou com <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=355">O Clone Volta para Casa</a></em> (2008), de Kanji Nakajima. O filme que faz parte da seleção de filmes de Wim Wenders para a <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/">32ª Mostra Internacional de Cinema</a>, a <a title="Cinematógrafo » Blog Archive » Carta Branca a Wim Wenders na 32ª Mostra" href="http://www.cinematografo.com.br/carta-branca-a-wim-wenders-na-32-mostra/">Carta Branca a Wim Wenders</a>. Para ser sincera eu tenho um certo problema com os filmes do diretor alemão: eles são lentos demais para o meu gosto. Não me entenda mal, eu não sou fã de filmes que parecem vídeo clip e não tenho problema algum com boa parte dos filmes iranianos, lentos demais para a maior parte das pessoas. Filmes podem, e devem ser lentos, quando condizem com o argumento, e tem esse ritmo para criar a atmofera, explorar o ambiente, apresentar as personagens, refletir sobre o filme. Entretando, quando não me acrescentar nada são apenas chatos.</p>
<p>Tive problemas para terminar de ver alguns do diretor alemão, que apesar de belos me cansaram. Valeram a pena, mas poderiam ter algumas cenas a menos, ou não tão longas. Deixando claro que não faço parte do time dos adoradores, vou para <em>O Clone</em>: chatíssimo. Merece o prêmio de filme mais chato até agora, ganho com a existência de muito tempo morto, diálogos que não sustentam o filme, narrativa fraca, cenas longas demais que ao contrário de serem bucólicas parecem apenas consumir mais tempo, apresentação visual fraca não despertando interesse no espectador, e intenso poder de dar sono no espectador.</p>
<p>O problema é que o argumento parecia interessante: filme de ficção científica japonês, que analisa o problema da clonagem através de uma história futurista. Para mim, nas pior das hipóteses, o filme seria engraçado. Ledo engano. Não posso negar que algumas cenas eram tão absurdas que eram engraçadas, mas não o salvou para mim. Deveria ter visto qualquer outra coisa, até ver novamente o <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=430">A Fronteira da Alvorada</a></em>, belo filme de Philippe Garrel aliás, ou ido para casa.</p>
<p><a title="Sonata de Tóquio" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=138"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-808" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/sonata_toquio.jpg" alt="Sonata de Tóquio" width="450" height="299" title="Sonata de Tóquio salva o dia" /></a></p>
<p>Apesar de tudo um filme salvou meu dia: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=138">Sonata de Tóquio</a></em> (2008), de Kiyoshi Kurosawa.  O diretor japonês fez um filme tocante sobre uma típica família japonesa, que aos poucos vai se desestruturando. Primeiro o pai perde o emprego, não consegue achar outro para o mesmo cargo e continua mentindo para a família. O filho mais novo quer ter aulas de piano, e uma vez que o pai não permite achando uma bobagem, ele começa a fazer escondido. O filho mais velho volta a hora que quer para casa e não consegue um emprego também. E a mais por sua vez vai ficando cada vez mais frustrada com toda essa situação, sem deixar transparecer, pois é ela que deve manter todos unidos.</p>
<p>Kurosawa critica o problema de desemprego no Japão, o envolvimento com guerras externas, a falta de tato e respeito entre os próprios familiares. <em>Sonata de Tóquio</em> é um filme leve e cativante. Aos poucos o espectador vai se envolvendo com as personagens, seus conflitos e a evolução delas. Pontuado com ótimas cenas de humor intercaladas com drama, o filme se deselvolve ao redor das mentiras que cada um conta para continuar vivendo sem se expor, sem perder o respeito ou ser contrariado.</p>
<p>No momento em que o pai perde o emprego há duas opções: admitir sua falta de flexibilidade e seu fracasso, ou mentir para a família e manter seu <em>status</em>. Seu orgulho o faz escolher a segunda e encontrar cada vez mais dificuldades em uma Tóquio super povoada, sem muitas chances de sucesso para aqueles sem talento, especialização ou de difícil adaptação.</p>
<p>Mas <em>Sonata de Tóquio</em> não é sobre quem fica com os melhores empregos. É  sobre como pequenas atitudes como respeitar as escolhas dos outros, tentar entendê-los e aceitar os nossos problemas de modo realista. Um pequeno passo desses não faz com que mudemos o mundo ou tudo voltar ao normal, e faz sim com que sejamos um pouco melhores e mais felizes com a nossa realidade.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O primeiro domingo da 32ª Mostra</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 13:42:09 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Feliz Natal" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=59"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-762 aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/feliz_natal.jpg" border="0" alt="Feliz Natal" width="450" height="250" title="O primeiro domingo da 32ª Mostra" /></a></p>
<p>Essa é a 9ª vez que participo da <strong>Mostra</strong> e eu nunca tive problema algum com as minhas credenciais. Até ontem. Quem acompanha o <a title="Twitter / cinematografo" href="http://twitter.com/cinematografo">Twitter do cinematógrafo</a> viu a minha mensagem sobre o assunto. Com uma mistura de pressa e com sono eu consegui perder a minha credencial. Ninguém sabia me informar ao certo o que fazer no caso da perda dela, mas eu concluí que devia ir até a central. Fui com o RG e os ingressos que já havia retirado e fiz uma nova. Tive também que retirar todos os ingressos, incluindo os para o mesmo dia. Ainda bem que quase tudo deu certo, pois acabei perdendo uma sessão no meio.</p>
<p>Para abrir o dia fui ver <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=59">Feliz Natal</a></em>, filme de estréia de Selton Mello na direção. A história começa na noite de Natal, quando Caio, há muito tempo sem contato com a família, retorna para rever os parentes. <em>Feliz Natal</em> é tudo o que você não gostaria de ver numa noite de natal, mas às vezes vê. É um filme sobre problemas famílias, a dor da perda, os conflitos não resolvidos e a dificuldade em reconhecer os próprios problemas e tentar mudar. A família de Caio, é, como diz a avó no filme, uma família desestruturada, mas as coisas só pioram, parecendo o Natal o estopim.</p>
<p>Com pouquíssimos planos abertos o filme cria uma atmosfera claustrofóbica, e mesmo que esse tenha sido o objetivo, cansa. Há também uma série de diálogos que parecem ter sido colocados na boca dos atores, soando artificial e outras vezes desnecessários. Isso sem falar em alguns atores que parecem que estão atuando para novela, o que para mim é o pior que pode acontecer a um filme. Paro de tentar acreditar na história. Apesar disso tudo não é um filme ruim. Devo dizer que gostei muito mais das cenas sem diálogos, apenas explorando as personagens, suas expressões e a atmosfera. Enfim, acho que continuo preferindo o Selton Mello atuando.</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-763"></span><a title="Tony Manero" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=354"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-766 aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/tony_manero.jpg" border="0" alt="Tony Manero" width="450" height="354" title="O primeiro domingo da 32ª Mostra" /></a></p>
<p>Pude conferir também <em><a title="Tony Manero" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=354">Tony Manero</a></em>, uma co-produção Chile-Brasil dirigida por Pablo Larraín. Durante a ditadura de Pinochet, Raúl Peralta é um homem na faixa dos 50 anos vê-se obcecado em ganhar um concurso de imitação de Tony Manero, personagem de John  Travolta em <em><a title="Saturday Night Fever (1977)" href="http://www.imdb.com/title/tt0076666/">Os embalos de sábado à noite</a></em>. Para alcançar seu objetivo Raúl não mede esforços, nem que para isso tenha que matar algumas pessoas pelo caminho. <em></em></p>
<p><em>Tony Manero</em> apresenta através de pequenas cenas e diálogos a dura realidade da ditadura chilena de modo cru, sem chegar perto do que realmente foi. Isso não é de modo alguma uma falha no filme, são apenas cenas para nos situar no momento político e econômico, e deixar mais claras algumas das atitudes de Raúl, que é o tema central, sem justificar. É um filme simples, bem estruturado, com momentos de choque visual, e até de descontração. Não há como evitar rir das cenas com John Travolta ou algumas das imitações. É tudo muito <em>kitsch</em>. Mas nada disso seria tão efetivo sem a brilhante atuação de Alfredo Castro como o frio psicopata Raúl.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=331"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-767 aligncenter" title="Alexandra" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/alexandra1.jpg" alt="alexandra1 O primeiro domingo da 32ª Mostra" width="450" height="218" /></a></p>
<p>Fechei a noite com uma sessão lotada do último filme do diretor russo Alexander Sokurov: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=331">Alexandra</a></em>. Continuando fiel a seu estilo, Sokurov vai aos poucos apresentando as personagens, sem pressa, para que o espectador tenha tempo de refletir sobre os diálogos e explorar as personagens visualmente. Em Alexandra o diretor reflete sobre a guerra, ou as guerras em geral, as razões que levam países vizinhos e por vezes amigos a brigar, a vida dos soldados e a bondade que ainda resta nas pessoas, mesmo por seus inimigos.</p>
<p>É através de Alexandra, uma avó que vai visitar o neto, um capitão do exército russo em serviço, que a guerra é visita. São suas perguntas aos soldados e aos habitantes do país em guerra que ela visita, a Chechênia, que vão aos poucos construindo os argumentos da defesa de Sokurov. <em>Alexandra</em> entra na lista do melhores filmes do diretor, e por enquanto o filme mais poético que vi na <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/">32ª Mostra</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dicas para o 3º dia da 32ª Mostra e mais impressões</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Oct 2008 15:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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Passei quase todo meu primeiro sábado da Mostra na Cinemateca, conforme havia dito na entrada anterior. Uma das partes boas de ir na Cinemateca é que as chances de pegar uma sessão cheia são muito baixas. Não pela qualidade dos filmes selecionados, mas pela distância do local de pontos de ônibus e metrô. Eu fui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Segurando as Pontas" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=436"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-750" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/pineapple_express.jpg" border="0" alt="Segurando as Pontas" width="450" height="298" title="Dicas para o 3º dia da 32ª Mostra e mais impressões" /></a></p>
<p>Passei quase todo meu primeiro sábado da <strong>Mostra</strong> na Cinemateca, conforme havia dito na <a title="Cinematógrafo » Blog Archive » Impressões do 1º dia da 32ª Mostra e mais dicas" href="http://www.cinematografo.com.br/impressoes-do-1-dia-da-32a-mostra-e-mais-dicas/">entrada anterior</a>. Uma das partes boas de ir na Cinemateca é que as chances de pegar uma sessão cheia são muito baixas. Não pela qualidade dos filmes selecionados, mas pela distância do local de pontos de ônibus e metrô. Eu fui e voltei andando do metrô: 20 minutos do metrô. Até uma boa opção, já que passei o dia todo nas salas de cinema.</p>
<p>Comecei meu dia com <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=389">O guerreiro vermelho</a></em>, da retrospectiva de Kihachi Okamoto. O filme de época mistura filme de guerra, com samurais e humor. Com uma trilha sonora que variava entre influências de faroeste, filmes de ação, drama e comédia, Toshiro Mifune nunca foi tão engraçado nas telas para mim. Aliás, o comentário de um dos meus amigos foi: Toshiro Mifune fazendo comédia? Pois é! O grande astro do cinema japonês era muito mais versátil do que se imagina. Pode ser divagação minha, mas vejo algumas influências desse filme no hilário <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme_arquivo.php?ano=28&amp;filme=5480">Zatoichi</a>, de Takeshi Kitano, exibido na 28ª Mostra.</p>
<p>Depois da diversão, um Bergman denso e quase cético em relação ao amor com <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=384">A Paixão de Anna</a></em>. O diretor sueco analisa os relacionamentos, a paixão e necessidade de espaço nas relações. Através da metalinguagem conhecemos um pouco mais das personagens, através das curtas entrevistas com os atores inseridas ao longo do filme. Cruel e verdadeiro.</p>
<p>Na sequência o primeiro filme de Ingmar Bergman: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=234">Crise</a></em>. Bem filmado, boas atuações, e sem nada de especial. Se não fosse os diálogos em sueco ele passaria como um filmezinho clássico dos anos 40, com drama, histórias de amor, conflitos internos, questionamentos morais e um desfecho quase idílico. É assustador ver o quanto o diretor evoluiu, comparando esse começo com obras primas como <em><a title="Persona (1966)" href="http://www.imdb.com/title/tt0060827/">Persona</a></em> ou <em><a title="Sjunde inseglet, Det (1957)" href="http://www.imdb.com/title/tt0050976/">Sétimo Selo</a></em>.</p>
<p>Para termina o dia, a bobagem que eu havia avisado: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=436">Segurando as Pontas</a></em>. O filme estrelado e escrito por David Gordon Green tem maconha, ação e humor. Na verdade ele é uma comédia que inclui os dois itens anteriores. Cheio de piadas que só fazem sentido em inglês, e muitas outras que só fazem sentido sentido se você tem alguma idéia no assunto &#8211; o que me fez perder algumas &#8211; o filme só é bom, digo, hilário, se já for no clima de não levar nada a sério. É quase um besteirol, só que com piadas boas e por isso mesmo fui ver.</p>
<p>Alguns avisos: dois amigos meus foram <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=175">Gomorra</a></em> por minha recomendação, esperando legenda em inglês e eletrônicas em português. A cópia exibida já tinha as legendas em português, mais as legendas eletrônicas. Confusão da organização da <strong>Mostra</strong> que deve ter feito algumas pessoas perderam uma boa parte da história &#8211; um deles não fala português. Se você planeja ver <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=59">Feliz Natal</a></em>, filme de estréia de Selton Mello, compre seu ingresso já, porque a sessão de ontem à noite lotou. Eu já tenho o meu aqui.</p>
<p><a title="Bye Bye Blackbird" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=358"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-751" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/byebye_blackbird.jpg" border="0" alt="Bye Bye Blackbird" width="450" height="302" title="Dicas para o 3º dia da 32ª Mostra e mais impressões" /></a></p>
<p>Além de <em>Feliz Natal</em>, aqui vão mais algumas dicas de bons filmes para hoje:</p>
<p><em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=430">A fronteira da alvorada</a></em> (2008), Philippe Garrel<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=331">Alexandra</a></em> (2007), Alexander Sokurov<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=473">A hora do Lobo</a></em> (1968), Ingmar Bergman<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=358">Bye Bye Blackbird</a></em> (2005), Robinson Savary<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=317">Choke</a></em> (2008), Clark Gregg<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=235">Chove no nosso amor</a></em> (1946), Ingmar Bergman<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=175">Gomorra</a></em> (2008), Matteo Garrone<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=180">Leonera</a></em> (2008), Pablo Trapero<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=352">Mil anos de orações</a></em> (2007), Wayne Wang<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=106">O Fim da Probreza?</a></em> (2008), Philippe Diaz<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=332">O Poderoso Chefão</a></em> (1972), Francis Ford Coppola<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=406">Por favor rebobine</a></em> (2008), Michel Gondry<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=123">Queime depois de ler</a></em> (2008), Joel Coen, Ethan Coen<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=138">Sonata de Tóquio</a></em> (2008), Kiyoshi Kurosawa<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=354">Tony Manero</a></em> (2008), Pablo Larraín<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=149">Tulpan</a></em> (2008), Sergey Dvortsevoy<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=383">Vergonha</a></em> (1968), Ingmar Bergman</p>]]></content:encoded>
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		<title>Impressões do 1º dia da 32ª Mostra e mais dicas</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 15:53:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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O primeiro dia da Mostra comprovou algumas das minhas expectativas: sessões lotadas em filmes com boas críticas, filas e mais filas para a maior parte dos filmes, o catálogo e a programação só saíram no meio da tarde, e alguns filmes que imagina que seriam bons realmente foram
Comecei oficialmente a Mostra mal, com a desagradável [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Queime depois de ler" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=123"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-719 aligncenter" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/queimedepois.jpg" border="0" alt="Queime depois de ler" width="450" height="297" title="Impressões do 1º dia da 32ª Mostra e mais dicas" /></a></p>
<p>O primeiro dia da Mostra comprovou algumas das minhas expectativas: sessões lotadas em filmes com boas críticas, filas e mais filas para a maior parte dos filmes, o catálogo e a programação só saíram no meio da tarde, e alguns filmes que imagina que seriam bons realmente foram</p>
<p>Comecei oficialmente a <strong>Mostra</strong> mal, com a desagradável surpresa de <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=75">Las Meninas</a></em>. Não tinha grandes expectativas em relação do filme ucraniano, mas também não esperava algo tão ruim. O filme é uma mistura do pior da videoarte, com técnicas para deixar o seu espectador irritado, com momentos soporíferos. Eu comecei achando que o diretor estava usando técnicas de estranhamento para fazer o espectador refletir, acompanhado de metáforas, mas é apenas ruim mesmo. E foi uma unanimidade: não encontrei ninguém que tivesse gostado, incluindo vários jornalistas.</p>
<p>Mas meu dia foi salvo com o fantástico <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=123">Queime depois de ler</a></em> dos irmãos Coen. Eu já imaginava que o filme seria bom, mas não tão bem elaborado e com tanto humor. Apostar em seus filmes é sempre garantia de sucesso. Fui com receio assistir <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=186">O casamento de Rachel</a></em>, motivada pelo fato de poder encaixar a sessão e ser um filme de Jonathan Demme. Entretanto cheguei para ver uma sessão lotada e tive uma grata surpresa com a história e a atuação de Anne Hathaway, mais conhecida pelos papéis de &#8220;boa moça&#8221;.</p>
<p>E para terminar o dia bem assisti <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=270">Rocknrolla &#8211; A grande roubada</a></em>, de Guy Ritchie. O diretor conseguiu se redimir dos estragos na imagem causados com alguns filmes depois do ótimo <em><a title="Snatch. (2000)" href="http://www.imdb.com/title/tt0208092/">Snatch</a></em>. <em>Rocknrolla</em> não chega aos pés de seus dois filmes mais conhecidos, mas ainda tem um brilho. Ritchie soube mais uma vez dosar violência, com tramas complexas e bom humor. Aos poucos a história vai sendo esclarecida e o filme mostra-se bem mais atraente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=384"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="size-full wp-image-721 aligncenter" title="A Paixão de Ana" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/paixao_ana.jpg" border="0" alt="paixao ana Impressões do 1º dia da 32ª Mostra e mais dicas" width="450" height="332" /></a></p>
<p>Parto para o segundo dia cheia de espectativas. Vou aproveitar para explorar as retrospectivas na Cinemateca e terminar o dia com uma bobagem, que também recomendo: <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=436">Segurando as Pontas</a></em> (2008), de David Gordon Green. Seguem abaixo as minhas outras dicas para hoje:</p>
<p><em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=384">A Paixão de Anna</a></em> (1969), Ingmar Bergman<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=12">A Vida Moderna</a></em> (2008), Raymond Depardon<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=171">Confissões de Super-heróis</a></em> (2007), Matt Ogens<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=380">Fanny e Alexander</a></em> (1982), Ingmar Bergman<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=59">Feliz Natal</a></em> (2008), Selton Mello<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=175">Gomorra</a></em> (2008), Matteo Garrone<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=30">Hanami &#8211; Cerejeiras em Flor</a></em> (2008), Doris Dörrie<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=262">Horas de Verão</a></em> (2008), Olivier Assayas<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=180">Leonera</a></em> (2008), Pablo Trapero<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=352">Mil Anos de Orações</a></em> (2007), Wayne Wang<br />
<em><a title="O CASAMENTO DE RACHEL" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=186">O Casamento de Rachel</a></em> (2008), Jonathan Demme<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=106">O fim da pobreza?</a></em> (2008), Philippe Diaz<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=389">O Guerreiro Vermelho</a></em> (1969), Kihachi Okamoto<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=332">O Poderoso Chefão</a></em> (1972), Francis Ford Coppola<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=190">O Silêncio de Lorna</a></em> (2008), Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=123">Queime depois de ler</a> </em>(2008), Joel Coen, Ethan Coen<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=406">Por favor rebobine</a></em> (2008), Michel Gondry<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=138">Sonata de Tóquio</a></em> (2008), Kiyoshi Kurosawa<br />
<em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=354">Tony Manero</a></em> (2008), Pablo Larraín</p>]]></content:encoded>
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		<title>Set, de Adriana Camacho</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2008 00:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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O filme mexicano Set (2008) marca a estréia da diretora Adriana Camacho. Camacho transformou o seu amor pela direção de arte, na qual vem atuando desde 1997, em filme. Desde 2005 ela vinha captando imagens de sets de cinema e televisão, entrevistas com profissionais da área como diretores de arte, cenógrafos, diretores de produção, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Set, de Adriana Camacho" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=136"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-692" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/set.jpg" alt="Set, de Adriana Camacho" width="450" height="253" title="Set, de Adriana Camacho" /></a></p>
<p>O filme mexicano <em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=136">Set</a> </em>(2008) marca a estréia da diretora Adriana Camacho. Camacho transformou o seu amor pela direção de arte, na qual vem atuando desde 1997, em filme. Desde 2005 ela vinha captando imagens de sets de cinema e televisão, entrevistas com profissionais da área como diretores de arte, cenógrafos, diretores de produção, e os marceneiros e outros profissionais que transformam as idéias desses especialistas em realidade.</p>
<p>Camacho escolheu pisar em um terreno que já conhecia. Ela trabalhou como assistente de arte, assistente de câmera, consultora e diretora de arte para filmes mexicanos e novelas de televisão de grande orçamento.</p>
<p>O documentário é recheado de explicações para apresentar ao público o universo dos sets de cinema, televisão e propagandas. As diversas funções são apresentadas em tom didático, com descrições e a partir daí são introduzidas imagens da construção de sets e entrevistas. Através de entrevistas a diretora procura deixar claro as funções de cada um, o processo criativo e apresentar o cinema México, um cinema carente de recursos.</p>
<p><span id="more-684"></span><em>Set</em> começa com os galpões vazios e os operários chegando e construindo o que será o set para a filmagem. O processo para colocar o set de pé é apresentado ao público. Mas mais do que mostrar como esses pequenos universos são criados, o filme mostra como esses espaços são efêmeros e e talvez esse seja um dos pontos altos do filme.</p>
<p>Eu gostei particularmente da entrevista dos trechos da entrevista com o desenhista de produção de <em><a title="Laberinto del fauno, El (2006)" href="http://www.imdb.com/title/tt0457430/">O Labirinto do Fauno</a></em>, e o livro de referências usadas para criar a arte do filme. Mas não sei até que ponto isso pode ser interessante para o público em geral. E aí está o maior problema do filme: ele parte de uma premissa interessante, que é a criação desse universo que deve parecer verossímil para o espectador, mas acaba virando um filme extremanente didático que vai ficando chato no decorrer do filme.</p>
<p>Outro problema é a notável diferença na qualidade das imagens captadas. Como foi realizado ao longo de dois ou três anos, e provavelmente com diferentes tipos de câmeras, há momentos em que a qualidade da imagem é muito baixa. O resultado é uma documentário irregular, recomendado apenas para quem gosta da área.</p>
<p><em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=136">Set</a></em> terá 3 sessões na Mostra, a primeira a partir de sábado. A diretora Adriana Camacho estará presente no <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/template.php?template=c_clube.htm">Clube da Mostra</a> para uma conversa sobre direção de arte.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna)</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 20:32:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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O Silêncio de Lorna (2008) mostra mais uma vez que os irmãos Dardenne, Luc e Jean-Pierre, continuam firmes a sua cinematografia como poucos cineastas fizeram. O filme que será exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema e entra em circuito dia 7 de novembro, assim como os filmes anteriores dos irmãos belga, mostra como algumas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="O Silêncio de Lorna (2008)" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=190"><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-678" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/silencio_lorna.jpg" alt="O Silêncio de Lorna (2008)" width="450" height="298" title="O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna)" /></a></p>
<p><em><a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=190">O Silêncio de Lorna</a></em> (2008) mostra mais uma vez que os irmãos Dardenne, Luc e Jean-Pierre, continuam firmes a sua cinematografia como poucos cineastas fizeram. O filme que será exibido na <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/">32ª Mostra Internacional de Cinema</a> e entra em circuito dia 7 de novembro, assim como os filmes anteriores dos irmãos belga, mostra como algumas pessoas podem mostra o melhor delas mesmas nas piores situações. São filmes humanos, fortes, para serem sentidos diretamente, sem a influências musicais, como acontece na grande parte dos filmes.</p>
<p>Para eles o roteiro é a base do filme. É o roteiro que irá conduzir magistrais atuações e inserir os espectadores naquele universo de situações difíceis, para que acreditem nessas facetas tão humanas e ao mesmo tempo tão cruéis. A realidade dura de seus filmes aos poucos vai sendo absorvida pela platéia, quando começamos a ver quão instintivos e insensatos o ser humano pode ser. O filme acaba não sendo apenas um filme, mas a vertente de uma realidade.</p>
<p>Em <em><a title="Silence de Lorna, Le (2008)" href="http://www.imdb.com/title/tt1186369/">O Silêncio de Lorna</a></em>, Lorna, interpretada pela atriz kosovar Arta Dobroshi, é uma jovem albanesa que vive na Bélgica e tem planos de abrir uma lanchonete com o namorado. Só que para isso eles precisam de dinheiro. Lorna então decide participar de um plano cruel criado por Fabio (Fabrizio Rongione) : ela deve se casar com viciado Claudy (Jérémie Renier) para obter a cidadania Belga, para que depois Claudy seja facilmente assassinado e Lorna possa se casar novamente pelo dinheiro, dessa vez com um mafioso russo que está em busca da cidadania belga. Esse é o trato e Lorna sabe desde o início da situação.</p>
<p><span id="more-675"></span>Os irmãos chamaram mais uma vez o ator, também belga, Jérémie Renier para o difícil papel de Claudy. Renier já havia trabalhado com os Dardenne em seu filme anterior <a title="Enfant, L' (2005)" href="http://www.imdb.com/title/tt0456396/">A criança</a>, na qual sua excelente atuação rendeu o prêmio de melhor ator no Joseph Plateau Awards &#8211; uma versão belga do Globo de Ouro &#8211; e uma indicação como melhor ator no Festival de Cannes.</p>
<p><img style=' display: block; margin-right: auto; margin-left: auto;'  class="aligncenter size-full wp-image-679" title="O Silêncio de Lorna" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2008/10/silencio_lorna2.jpg" alt="O Silêncio de Lorna" width="450" height="298" /></p>
<p>Com muitos planos fechados o filme começa criando a atmosfera de sufocamento na qual Lorna vive. Todos os dias ela têm que voltar para o aparteamento no qual vive com seu marido, que obstante não amar, despreza. Lorna é fria com Claudy, pois têm plena consciência do casamento por dinheiro, e de que ele precisa morrer para que ela possa continuar sua vida, seus planos. Para evitar contato e consequentemente criar laços com Claudy, Lorna come na rua, chega no apartamento apenas na hora de ir dormir e evitar falar com ele.</p>
<p>Mas algo que eles não planejavam acontece: Claudy decide abandonar as drogas, complicando seus planos, uma vez que eles esperavam que logo ele morresse de overdose ou que fosse fácil fazer parecer que ele tivesse morrido de overdose. Claudy começa a mostrar seu desespero para largar as drogas, pedindo ajuda para Lorna, que somente aos poucos começa a transpassar sua indiferença por ele. A atenção que Claudy demanda de Lorna passa a ser uma mistura de busca de atenção, ajuda e afeto. De alguma forma, ele transpassa que se apegou a Lorna, atrapalhando as coisas.</p>
<p>O filme vai além das análises das relações humanas. Ele analisa os problemas cada vez mais crescentes do tráfico e das imigrações ilegais do leste europeu. São pessoas sem perspectivas e sua terra natal que vêem na comunidade européia uma saída para seus problemas. De certo modo o filme questiona do que as pessoas são capazes para saírem da pobreza na qual vivem.</p>
<p>São em pequenos gestos e atitudes, com cenas mais longas e elaboradas que os Dardenne conseguem passar as &#8220;reais&#8221; emoções das personagens, sem precisar acrescentar diálogos cheios de explicações. O roteiro bem escrito lhes rendeu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes desse ano. O filme também foi indicado à Palma de Ouro. Mais um belo filme e que com certeza merece ser visto, ainda que não alcance o brilho de <em>A criança</em>.</p>
<p>Obs.: antes da estréia no dia 7 o filme terá cinco sessões na <a title="32ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www.mostra.org/32/exib_filme.php?filme=190">32ª Mostra</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O frescor do filmes franceses na 31ª Mostra</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Oct 2007 06:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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Todos os anos a Mostra traz uma grande amostra das produções franceses e co-produzidas na França. Eu, como fã incondicional do cinema francês, fico imensamente grata pela contribuição delas. Felizmente boa parte das produções acaba estreando nas nossas telas, principalmente em São Paulo. Esse ano, como parece, não será diferente.
Entre as dezenas de atrações vindas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img title="Em Paris" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/10/em_paris.jpg" border="0" alt="Em Paris" /></p>
<p>Todos os anos a Mostra traz uma grande amostra das produções franceses e co-produzidas na França. Eu, como fã incondicional do cinema francês, fico imensamente grata pela contribuição delas. Felizmente boa parte das produções acaba estreando nas nossas telas, principalmente em São Paulo. Esse ano, como parece, não será diferente.</p>
<p>Entre as dezenas de atrações vindas da França, incluindo duas retrospectivas dedicadas a diretores franceses, <a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_atual_filmes_sessao_5.shtml">Claude Lelouch</a> e <a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_atual_filmes_sessao_13.shtml">Jean Paul Civeyrac</a>, há vários filmes que tentam não ir tão a fundo em questões filosóficas, tão comum aos franceses, ou debates sociais. São filmes frescos, perfeitos para um começo de tarde, filmes que, na minha definição favorita, nos fazem sair contentes do cinema.</p>
<p>O tipo de alegria que se obtém somente através de bons filmes, leves, que nos envolvem por quase duas horas e que recomendaríamos, mesmo não sendo obras primas, ou um daqueles filmes memoráveis dos quais guardamos cenas para sempre em nossas memórias.</p>
<p>Eis uma pequena seleção com quatro filmes que vi, e recomendo para ver agora ou mesmo depois. Os filmes já tem distribuição garantida depois da Mostra.</p>
<p align="center"><strong>Em Paris</strong></p>
<p><em><a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_473.shtml">Em Paris</a></em> (Dans Paris) é um filme absurdamente francês, no melhor estilo <em>Nouvelle Vague</em>. Dirigido por Christophe Honoré, o irreverente filme começa com o narrador levantando-se da cama onde mais dois dormem, caminhando pelo apartamento, e apresentando a história, com a torre Eiffel ao fundo emoldurando a cena. Jonathan (Louis Garrel de <em>Os Sonhadores</em>) fala de seu irmão Paul (Romain Duris) que está em depressão e as razões que o fizeram ficar assim e vir passar o Natal com o pai e irmão. Apesar o tema, o filme mantém o alto astral durante sua maior parte.</p>
<p><em><a title="Dans Paris (2006)" href="http://www.imdb.com/title/tt0769508/">Em Paris</a></em> transpira Truffaut em diversas cenas ao longo do filme: quando Jonathan e sua namorada estão na cama, quando os dois correm pelo parque como duas crianças, e mesmo quando os casais brigam. Há também referências ao cinema de Jacques Demy, em uma das mais belas cenas do filme, quando Paul e sua ex-mulher Alice (Alice Butaud) cantam um diálogo.</p>
<p>A trilha sonora do filme também é introduzida como uma personagem, alternando a alegria de Jonathan associada ao jazz, e as memórias e bucolismo de Paul com músicas em inglês. Guy Marchand está perfeito, como o pai rabugento e preocupado, mas com uma certa dificuldade para lidar com os filhos. Destaque para a belíssima cantora francesa Héléna Noguerra que aparece como uma garota numa scooter.</p>
<p>O filme acaba fazendo dois paralelos entre o amor que causa conflitos e sofrimento, e o sexo que traz felicidade instantânea e satisfaz aos jovens. É um filme com uma visão positiva, pois apesar de tudo ainda há esperança, e as coisas sempre podem melhorar com o apoio de nossos entes queridos.<br />
<span id="more-472"></span></p>
<p align="center"><strong>Meu Melhor Amigo</strong></p>
<p style="text-align: center"><img title="Meu Melhor Amigo" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/10/meu_melhor_amigo.jpg" border="0" alt="Meu Melhor Amigo" /></p>
<p>Amizades devem ser cultivadas. Essa é uma das premissas de <em><a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_223.shtml">Meu Melhor Amigo</a></em> (Mon Meilleur Ami), último filme de Patrice Leconte. Estrelado por Daniel Auteuil, que sempre é uma ótima razão para se ver um filme, o filme conta a história de François, um <em>marchand</em> extremamente apegado a objetos. Em seu aniversário sua sócia, Catherine (Julie Gayet), diz que ele não tem amigos, e todos presente na mesa concordam.</p>
<p>Indignado com tal observação, François faz uma aposta com Catherine, para apresentar em dez dias seu melhor amigo. Ele parte então em busca de seu melhor amigo através de uma lista, mas aos poucos vai descobrindo que não cultivou qualquer amizade. Mesmo com sua própria filha ele não consegue manter uma relação próxima.</p>
<p>O desespero aumenta e ele começa a procurar cursos, livros e perguntar as pessoas na rua sobre como fazer amizades. Para não perder a aposta, que é a um vaso grego caríssimo que adquiriu, e que curiosamente simboliza a amizade, François pede a ajuda do taxista Bruno (Dany Boon), que consegue facilmente interagir com outros. Aos poucos, mesmo sem perceber, começa a nascer a amizade entre essas pessoas tão diferentes.</p>
<p>Mesmo não sendo sua melhor comédia, Leconte fez uma comédia genial, sobre a dificuldade de se relacionar com os outros, amizades e os comportamentos obsessivos das pessoas, que acabam atrapalhando relações. Impossível não rir das cenas protagonizadas por Auteuil tentando fazer amigos ou descobrindo como se faz. <em><a title="Mon Meilleur Ami - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mon_Meilleur_Ami">Meu Melhor Amigo</a></em> é um ótimo filme para começar o dia, para ver e rever (futuramente).</p>
<p align="center"><strong>Crimes de Autor</strong></p>
<p style="text-align: center"><img title="Crimes de Autor" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/10/crimes_de_autor.jpg" border="0" alt="Crimes de Autor" /></p>
<p>Em seu quadragésimo primeiro filme, o diretor Claude Lelouch mostra que não perdeu a mão e continua sabendo como manter o espectador atento. <em><a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_245.shtml">Crimes de Autor</a></em> (Roman de Gare) é uma história entrelaçada por um assassino serial que fugiu da prisão, um marido que abandona a esposa e filhos sem deixar recado, um assassinato e um escritor em busca de uma história.</p>
<p>O filme começa com Judith Ralitzer (Fanny Ardant) sendo interrogada e falando sobre a inspiração de seu livro em flash-back. Pouco depois Dominique Pinon aparece como um homem misterioso, dirigindo numa noite numa noite chuvosa, e que tem seu destino cruzado Huguette, interpretada pela talentosa Audrey Dana. Huguette foi abandonada a caminho da casa dos pais pelo noivo, depois de uma briga, e esse estranho insiste em dar-lhe carona.</p>
<p><em>Crimes de Autor</em> alterna momentos de suspense, com momentos de humor pontuais. Lelouch consegue ocultar o mistério por boa parte do filme, mas nem é exatamente ele o mais interessante, e sim a história contada dentro do livro, dentro do filme e como ela é construída. Criando um mistério dentro de outro, adicionando bom ótimas atuações, um pouco de romance, uma pitada de crime e o fresco das canções de Gilbert Bécaud, o filme consegue nos deixar felizes até o final.</p>
<p>O diretor aproveita para fazer auto-referências, através de imagens de dentro de um carro em alta velocidade. Nas sessões da Mostra, será exibido o curta <em><a title="C'était un rendez-vous - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/C%27%C3%A9tait_un_rendez-vous">Rendez-vous</a></em> antes de <em>Crimes de Autor</em>, ao qual ele faz referência. O curta é realmente impressionante: um plano seqüência de nove minutos nas ruas de Paris de um carro em alta velocidade às 5h30 da manhã. Sem cortes e sem paradas.</p>
<p align="center"><strong>Menção Honrosa: Lady Chatterley</strong></p>
<p style="text-align: center"><img title="Lady Chatterley" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/10/lady_chatterley.jpg" border="0" alt="Lady Chatterley" /></p>
<p><em><a title="31ª Mostra Internacional de Cinema" href="http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_391.shtml">Lady Chatterley</a></em> é o único filme dessa lista em que o frescor aparece apenas em alguns momentos. Ao contrário dos outros, é um filme intenso, sufocante por vezes e ainda sublime. O filme merece cada um dos prêmios recebidos, tanto pelo desempenho estupendo dos atores principais, principalmente o de Marina Hands como  Lady Chatterley, como pela direção impecável de Pascale Ferran. Ela foi a primeira mulher a adaptar o clássico romance erótico de D.H. Lawrence, na verdade a segunda e não final versão deles, para as telas e talvez por isso o filme consiga mostrar tão bem o descoberta do prazer sem cair no vulgar.</p>
<p>A história, já bem conhecida de todos, apresenta <a title="Lady Chatterley (2006)" href="http://www.imdb.com/title/tt0459880/">Lady Chatterley</a> como a boa esposa que cuida do marido, que ao cuidar da guerra está inválido e não pode mais satisfazê-la. Sua vida aos poucos torna-se uma seqüência de fatos tediosos, sem nenhum sentido e sua vontade de viver também se esvai. Por recomendação médica ela começa a mudar seu modo de pensar e uma enfermeira começa a cuidar de seu marido.</p>
<p>Com tempo livre, ela começa a apreciar a beleza na natureza, descobrindo o prazer visual, e depois seu próprio corpo e o prazer. Atraída pelo corpo e pela relação próxima com que estabelece com Parkin (Jean-Louis Coullo&#8217;ch) o guarda caça da propriedade, eles começam um caso.</p>
<p>Através de seis cenas de sexo extremamente bem elaboradas, Ferran mostra o desenvolvimento dessa mulher, que passa de uma mulher recatada, insegura e frágil, para uma mulher voluptuosa, forte e independente. O sexo os move de início, mas é o amor que nasce dele que os mantém nessa relação. É através do sexo que ela toma conhecimento de si mesma, que começa a se conhecer e agir de forma livre.</p>
<p>Com cenas belíssimas, <em>Lady Chatterley</em> é um filme de atmosfera: ele nos transfere para aquele universo através de longas cenas, pouquíssimos diálogos, sem subterfúgios e com muitos detalhes. Você acaba sentindo o que a personagem sente através dessa elabora construção de planos, enquadramentos e das interpretações, que substituem os diálogos.</p>
<p>O frescor aparece quando a personagem se liberta de suas amarras psicológicas e começa a desfrutar do prazer de seus instintos: o filme se abre, respira, assim como a personagem. Um clássico para ser visto no cinema.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A Fantástica Fábrica de Chocolate</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Sep 2007 17:50:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bibi</dc:creator>
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A última adaptação do livro de Roald Dahl Charlie and the Chocolate Factory (A Fantástica Fábrica de Chocolate) é parada obrigatória para os fãs de Tim Burton, para quem procura diversão e para as crianças. O livro infanto-juvenil é quase uma fábula, cheio de pequenas lições de moral, de como boas crianças devem se comportar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a title="A Fantástica Fábrica de Chocolate" href="http://wwws.br.warnerbros.com/movies/chocolatefactory/"><img src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate3.jpg" border="0" alt="A Fantástica Fábrica de Chocolate" title="A Fantástica Fábrica de Chocolate" /></a></p>
<p>A última adaptação do livro de <a title="Roald Dahl" href="http://www.roalddahl.com/">Roald Dahl</a> <em><a title="Charlie and the Chocolate Factory - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charlie_and_the_Chocolate_Factory">Charlie and the Chocolate Factory</a></em> (<em><a title="Charlie and the Chocolate Factory - Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_and_the_Chocolate_Factory">A Fantástica Fábrica de Chocolate</a></em>) é parada obrigatória para os fãs de Tim Burton, para quem procura diversão e para as crianças. O livro infanto-juvenil é quase uma fábula, cheio de pequenas lições de moral, de como boas crianças devem se comportar, e como você pode ser a pessoa mais sortuda no mundo e não perceber. O filme também ressalta os pontos fortes do livro, mas vai muito mais além.</p>
<p>A adaptação nas mãos de Tim Burton rendeu um belo filme, fortemente influenciado pela estética expressionista presente em boa parte de seus filmes. Logo na abertura de créditos, o espectador percebe que é um filme do diretor: a música de Danny Elfman dá ritmo à câmera que passeia pela fábrica de visual quase gótico. Por mais &#8220;bonitinha&#8221; que possa parecer a história, o diretor dá ao longo do filme diversas razões para o espectador adulto se encantar por esta fábula moderna.</p>
<p><img title="O pequeno Charlie e sua família" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate4.jpg" border="0" alt="O pequeno Charlie e sua família" align="right" /><a title="A Fantástica Fábrica de Chocolate" href="http://wwws.br.warnerbros.com/movies/chocolatefactory/">A Fantástica Fábrica de Chocolate</a> é a história do pequeno e muito pobre Charlie Bucket, perfeitamente interpretado pelo ator mirim Freddie Highmore, e de como ele era o menino mais sortudo do mundo. Charlie é uma menino igual aos outros que mora em uma pequena e muito pobre casa no extremo da cidade com seus quatro avós e os pais. Apenas o pai tem um emprego, e o que ganha mal dá para o sustento da família. Todo dia Charlie passa em frente à imensa fábrica de chocolate de Willy Wonka, imaginando o que haverá dentro dela.</p>
<p>Eis que um dia o Wonka, interpretado pelo sempre ótimo Johnny Depp, resolve abrir sua fábrica para visita de apenas 5 crianças em todo o mundo. Os felizardos serão aqueles que encontrarem os 5 bilhetes dourados escondidos em barras de chocolate. Quatro crianças cheias de mimos e mal comportadas encontram os primeiros bilhetes. O último bilhete é encontrado por  Charlie, que ganha apenas um chocolate por ano em seu aniversário.</p>
<p>A diversão começa mesmo quando as crianças, cada uma acompanhada de um parente, chegam a fábrica. Desde o show de bonecos até a última criança deixar a fábrica, o filme é povoado de boas piadas feitas não exatamente para as crianças.</p>
<p><img title="Os visitantes na fábrica de chocolate" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate5.jpg" border="0" alt="Os visitantes na fábrica de chocolate" align="left" />Para o elenco, Burton escolheu alguns de seus atores preferidos e um grupo de crianças muito talentosas. No papel dos pais de Charlie há Helena Bonham Carter (esposa de Burton) e Noah Taylor. David Kelly faz o papel do vovô Joe que acompanha Charlie na visita a fábrica. Annasophia Robb é a Violet Beauregarde, a menina que mastiga chicletes sem parar, Julia Winter é a minada menina milionária Veruca Salt, Jordan Fry é o insuportável menino viciado em vídeo games e tecnologia Mike Teavee, Philip Wiegratz é o pequeno glutão alemão Augustus Gloop, e Freddie Highmore é Charlie. Há também uma pequena participação de Christopher Lee só para deixar o filme ainda mais charmoso.</p>
<p>Depp está sublime em seu papel mais andrógino para o cinema, como o excêntrico milionário dono da fábrica de chocolates, cheio de tiques, com uma risada boba, e um tanto assustadora para alguns. O ator conseguiu traduzir com perfeição o espírito presente no livro, a caricatura de um homem solitário, cheio de manias e extremamente apaixonado pelo o que faz.</p>
<p><img title="Johnny Depp como Willy Wonka" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate1.jpg" border="0" alt="Johnny Depp como Willy Wonka" align="right" />E prepare-se para ver uma versão de &#8220;Michael Jackson&#8221; quando Depp aparecer pela primeira vez na tela, pois a composição da personagem Wonka é composta também pelo figurino exótico, formado por cartola, casado de veludo, luvas roxas, bengala, cabelo channel e maquilagem. Wonka não só anda com o cabelo perfeitamente ajeitado, como ainda usa pó compacto e lápis nos olhos. Mas ao contrário de Jackson, a personagem de Wonka não gosta de crianças e nem de contato com outras pessoas; é uma personagem cheia de fobias.</p>
<p>Todas as personagens são caricaturas, o que pode não agradar a todos, mas casa perfeitamente com toda a mise en scène. Como toda fábula as características são ressaltadas no perfil das personagens passando pelo figurino, falas e interpretação. O cenário serve para ressaltar o não realismo da história. Não é um filme para iludir o espectador, é um filme para fazê-lo acreditar que é tudo é uma ilusão, de que nada dali é verossímil e por isso mesmo aquele mundo fantástico é tão maravilhoso. Por que no fundo cinema é só ilusão, é apenas uma visão da realidade, uma representação dos fatos.</p>
<p>Quem viu a <a title="Willy Wonka &amp; the Chocolate Factory - Wikipedia, the free encyclopedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Willy_Wonka_%26_the_Chocolate_Factory">primeira adaptação</a> do livro para as telas com Gene Wilder no papel de Willy Wonka, sentirá falta de algumas piadas, como a das &#8220;nevascarangas&#8221; (na tradução em português) e provavelmente das músicas. Essa nova versão se mantém mais fiel ao livro de Dahl, começando pelas letras das músicas. As letras das quatro canções que os pequenos Oompa-Loompas cantam para as crianças foram retiradas do próprio livro de Dahl, tendo apenas o acréscimo da música de Elfman. Portanto pare já suas comparações com o original, e os saudosistas que me desculpem, mas essa versão é muito melhor.</p>
<p><img title="Oompa-Loompas" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/oompa_lompas.jpg" border="0" alt="Oompa-Loompas" align="left" />Na versão dos anos setenta os gansos que botavam ovos de ouro foram substituídos por adoráveis esquilos treinados para abrir nozes. A cena dos roedores trabalhando sem parar é uma amostra do perfeccionismo do diretor, que misturou imagens de esquilos reais e treinados abrindo nozes e animatronics, robôs que aparecem em filmes como animais. É um filme cheio de efeitos especiais, só que a intenção é destá-los.</p>
<p>Burton aproveitou para acrescentar pequenos trechos no filme explicando o porquê do estranho comportamento de Wonka. Apenas  um pouco, porque boa parte de toda a esquisitice da personagem continua como um toque do diretor. Através de <em>flashbacks</em> o espectador fica sabendo um pouco mais do passado do pequeno Wonka. Uma bela idéia, e uma boa desculpa para colocar Christopher Lee como o senhor Wonka.</p>
<p>Outra das sacadas geniais do filme foi colocar todos os pequenos homenzinhos mágicos, os Oompa-Loompas, interpretados pelo mesmo ator: Deep Roy. Se no filme original eles deveriam ser todos iguais, aqui eles realmente o são. Roy se desdobra em vários para fazer as coreografias das músicas, os diversos Oompas da fábrica, mais alguns pequenos papéis surpresa, e pequenas piadas criadas pelo diretor. O efeito visual é hilário.</p>
<p><img title="Mais Oompa-Loompas" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate2.jpg" border="0" alt="Mais Oompa-Loompas" align="right" />Tim Burton aproveita para criar piadas com inusitadas situações, e com citações a outros filmes, também criadas principalmente pelos Oompa-Loompas. Há balés aquáticos super coreografados, como os primeiros musicais dos anos trinta, menção aos filmes clássicos sobre o Império Romano com galés conduzidas por escravos, e a obra prima de Kubrick <em><a title="2001: A Space Odyssey - Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/2001:_A_Space_Odyssey">2001- Uma Odisséia no Espaço</a></em>. A referência ao filme é tão forte, que dura uma seqüência toda na fábrica de chocolate: impossível não perceber. Aliás, só essa parte já valeria assistí-lo.</p>
<p>Como segue a história do livro, o filme é cheio de valores morais e sociais, com um final &#8220;bonitinho&#8221; e cheio de pequenas lições: não é bom ser uma criança mal educada; a família é a base de tudo; as crianças boazinhas são mais felizes. Concordando ou não com as lições de moral, é um belo filme para o público de todas as idades.</p>
<p>Não é o melhor de Tim Burton, mas é Tim Burton puro, do começo ao fim: desde a música, passando pelos cenários, as piadas e as personagens não há como negar. O filme é um deleite visual em todos os sentidos, porque não há como negar que os doces da fábrica são também dar água na boca. Por isso, coloque os seus preconceitos (se os tiver) de lado, de que um livro infantil não pode ser um bom filme para o público adulto, e divirta-se muito com <a title="Charlie and the Chocolate Factory (2005)" href="http://www.imdb.com/title/tt0367594/">A Fantástica Fábrica de Chocolate</a>.</p>
<p style="text-align: center"><img title="Dentro do elevador de vidro" src="http://www.cinematografo.com.br/wp-images/2007/09/fabrica_chocolate31.jpg" border="0" alt="Dentro do elevador de vidro" /></p>
<p><span style="font-size: x-small;"><em>Texto originalmente publicado no <strong>Azul Calcinha</strong> em 2005. &#8211; Imagens: copyright © 2005 Warner Bros.</em></span></p>]]></content:encoded>
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