Dicas para o 3º dia da 32ª Mostra e mais impressões

Segurando as Pontas

Passei quase todo meu primeiro sábado da Mostra na Cinemateca, conforme havia dito na entrada anterior. Uma das partes boas de ir na Cinemateca é que as chances de pegar uma sessão cheia são muito baixas. Não pela qualidade dos filmes selecionados, mas pela distância do local de pontos de ônibus e metrô. Eu fui e voltei andando do metrô: 20 minutos do metrô. Até uma boa opção, já que passei o dia todo nas salas de cinema.

Comecei meu dia com O guerreiro vermelho, da retrospectiva de Kihachi Okamoto. O filme de época mistura filme de guerra, com samurais e humor. Com uma trilha sonora que variava entre influências de faroeste, filmes de ação, drama e comédia, Toshiro Mifune nunca foi tão engraçado nas telas para mim. Aliás, o comentário de um dos meus amigos foi: Toshiro Mifune fazendo comédia? Pois é! O grande astro do cinema japonês era muito mais versátil do que se imagina. Pode ser divagação minha, mas vejo algumas influências desse filme no hilário Zatoichi, de Takeshi Kitano, exibido na 28ª Mostra.

Depois da diversão, um Bergman denso e quase cético em relação ao amor com A Paixão de Anna. O diretor sueco analisa os relacionamentos, a paixão e necessidade de espaço nas relações. Através da metalinguagem conhecemos um pouco mais das personagens, através das curtas entrevistas com os atores inseridas ao longo do filme. Cruel e verdadeiro.

Na sequência o primeiro filme de Ingmar Bergman: Crise. Bem filmado, boas atuações, e sem nada de especial. Se não fosse os diálogos em sueco ele passaria como um filmezinho clássico dos anos 40, com drama, histórias de amor, conflitos internos, questionamentos morais e um desfecho quase idílico. É assustador ver o quanto o diretor evoluiu, comparando esse começo com obras primas como Persona ou Sétimo Selo.

Para termina o dia, a bobagem que eu havia avisado: Segurando as Pontas. O filme estrelado e escrito por David Gordon Green tem maconha, ação e humor. Na verdade ele é uma comédia que inclui os dois itens anteriores. Cheio de piadas que só fazem sentido em inglês, e muitas outras que só fazem sentido sentido se você tem alguma idéia no assunto – o que me fez perder algumas – o filme só é bom, digo, hilário, se já for no clima de não levar nada a sério. É quase um besteirol, só que com piadas boas e por isso mesmo fui ver.

Alguns avisos: dois amigos meus foram Gomorra por minha recomendação, esperando legenda em inglês e eletrônicas em português. A cópia exibida já tinha as legendas em português, mais as legendas eletrônicas. Confusão da organização da Mostra que deve ter feito algumas pessoas perderam uma boa parte da história – um deles não fala português. Se você planeja ver Feliz Natal, filme de estréia de Selton Mello, compre seu ingresso já, porque a sessão de ontem à noite lotou. Eu já tenho o meu aqui.

Bye Bye Blackbird

Além de Feliz Natal, aqui vão mais algumas dicas de bons filmes para hoje:

A fronteira da alvorada (2008), Philippe Garrel
Alexandra (2007), Alexander Sokurov
A hora do Lobo (1968), Ingmar Bergman
Bye Bye Blackbird (2005), Robinson Savary
Choke (2008), Clark Gregg
Chove no nosso amor (1946), Ingmar Bergman
Gomorra (2008), Matteo Garrone
Leonera (2008), Pablo Trapero
Mil anos de orações (2007), Wayne Wang
O Fim da Probreza? (2008), Philippe Diaz
O Poderoso Chefão (1972), Francis Ford Coppola
Por favor rebobine (2008), Michel Gondry
Queime depois de ler (2008), Joel Coen, Ethan Coen
Sonata de Tóquio (2008), Kiyoshi Kurosawa
Tony Manero (2008), Pablo Larraín
Tulpan (2008), Sergey Dvortsevoy
Vergonha (1968), Ingmar Bergman

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