Ingmar Bergman na 32ª Mostra

Ingmar Bergman

Ano passado perdemos um dos mestre na arte de fazer filmes: Ingmar Bergman. Bergman aprendeu com o cinema mudo sueco a explorar as belas paisagens suecas para expressas e intensificar as emoções das personagens. Aprendeu com o teatro, sua grande paixão, a explorar o melhor dos atores e fazê-los passar isso para as telas. Buscou na literatura e filosofia a base de seus roteiros profundos, nos quais explora o incrível turbilhão de sensações humanas. Não só isso, ele sabia como mostrar nas telas intensidade usando “apenas” imagens.

Bergman completaria 90 anos nesse ano, e a Mostra presta uma homenagem a uma figura tão importante ao cinema mundial com uma retrospectiva que privilegia filmes raros, do início de sua carreira. O público brasileiro conhece bem seus clássicos, filmes que ganharam prêmio, saíram em vídeo, depois em DVD, e passam na televisão de tempos em tempos. Mas seus primeiros filmes do fim da década de 40 e anos 50 permanecem obscuros para a maior parte de seu público. Algumas coletâneas e filmes foram lançados esse ano, no entanto apenas alguns eram inéditos por aqui em vídeo ou DVD.

Durante a 32ª Mostra serão exibidos 12 filmes do diretor, 5 dos anos 40: Crise (1946), Chove me Nosso Amor (1946), Música na Noite (1948), Prisão (1949), Sede de Paixões (1949). Os primeiros filmes são adaptações de livros ou peças, e por isso não ter a profundidade dos filmes posteriores de Bergman, mas a partir de Música na Noite nota-se a mão de Bergman no roteiro original tentando desvendar os segredos da alma.


Rumo à alegria

Em Rumo à Alegria (1950) o diretor continua seus experimentos, por assim dizer, explorando os relacionamentos. Da década de 50 serão exibidos ainda Quando as mulheres esperam (1952) e No Limiar da Vida (1958). Da década de 60 há preciosidades, obrigatórias para fãs e quem quiser saber um pouco mais sobre o que é o cinema: A Hora do Lobo (1968), Vergonha (1968) e A Paixão de Anna (1969). A Mostra exibirá ainda a obra prima do diretor sueco: Fanny e Alexander (1982).

Os filmes já valeriam ser vistos por sua raridade e pela experiência de vê-los na tela. Mas há um detalhe que os torna ainda mais interessantes: eles serão exibidos em cópias novas em 35 mm produzidas com supervisão do Instituto Sueco de Filmes. Frederik Gustafsson, do Instituto Sueco e especialista na obra de Ingmar Bergman, estará em São Paulo entre os dias 18 e 23 de outubro acompanhando a retrospectiva do diretor.

A Mostra também apresentará a exposição “Meus Encontros com Bergman”, uma seleção de fotografias em que o cineasta aparece nos bastidores de peças teatrais e filmagens. As fotos, tiradas entre as décadas de 50 e 80, são do sueco Ove Wallin. A exposição já passou por Estocolmo e Tóquio. Em São Paulo, as fotos ficarão expostas na Galeria do Conjunto Nacional.

Fanny e Alexander

Curiosidades sobre a Mostra e Bergman:

Para saber mais sobre a retrospectiva leia: 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo terá retrospectiva com filmes raros de Ingmar Bergman. Aproveite e visite em inglês: Ingmar Bergman Face to Face, De Düva e Ingmar Bergman: 1918 – 2007.

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