O Fenaquistiscópio

Eadweard Muybridge’s phenakistoscope

Jornais têm a imagem do dia, blogs, sites e a Wikipedia. A imagem do dia lá hoje era a animação acima de phenakistoscope disc (disco de Fenacistoscópio). Bom, o nome do brinquedo óptico varia e em português já escutei vários, incluindo o outro nome também descrito na versão em português do artigo “fenakitoscopio” e “fenaquistiscópio”.

Para quem nunca ouviu falar, o fenaquistiscópio é um dos vários brinquedos ópticos criados com base nas descobertas de Joseph Plateau sobre a persistência da retina. E é graças a essa descoberta que a mágica do cinema funciona. Esse brinquedo criado em 1831, cria a ilusão de movimento através de uma movimentação das imagens em seqüência desenhadas em um disco. Para quem ainda não entendeu, eis abaixo a imagem original da animação acima:

The zoopraxiscope - a couple waltzing

A resolução desse brinquedo na Wikipedia é tão grande que dá até para imprimir e brincar com ele. Embora tenha sido criado por Plateau, o fenaquistiscópio acima foi criado por Eadweard Muybridge, que inspirado nele criou mais tarde o Zoopraxiscope (zoopraxiscópio, se não me enganei na tradução). A diferença do brinquedinho genial original e o de Muybridge, é que o segundo usa fotografias no lugar de ilustrações e as elas são impressas numa superfície transparente, também circular, para serem projetadas.

The Horse in Motion

Muitos consideram Muybridge um dos pais do cinema, graças às suas invenções relacionadas à fotografia e os estudos sobre o movimento. E quem diria que tudo começou com uma aposta para comprovar que os cavalos ficavam com as quatro patas no ar em algum momento de seu galope. A teoria foi comprovada através do registro fotográfico feito em seqüência pela fotógrafo inglês, e a partir daí ele nunca mais parou com suas pesquisas na área de movimentos. Ele viveu o bastante para ver o nascimento do cinema e as primeiras experiências na área, mas acho que nunca imaginou que essa nova forma de entretenimento iria tão longe.

Depois dessa digressão sobre Muybridge é capaz que alguém ainda não tenha entendido como funcionava o fenaquistiscópio, por eu sugiro visitar essa página do museu belga de história da ciência. Além da foto abaixo que demonstra o use dele, há várias imagens de simulação de fenaquistiscópios em movimento.

Demonstração do uso de um fenaquistiscópio

Para quem quiser saber mais sobre a história do pré-cinema, que é uma área fascinante, eu tenho três sugestões de livros que já li e recomendo, todos em português:

A Grande Arte da Luz e da Sombra do pesquisador francês Laurent Mannoni é quase uma bíblia da área. O livro, que é um monstrinho em tamanho, está cheio de informações sobre as invenções para tentar reproduzir a imagem em movimento, desde as câmaras escuras. O livro traça um panorama histórico e social dessas invenções mágicas, e suas conseqüências. Pena que todas as ilustrações são em preto e branco e não há tantas imagens como seria de se esperar.

Pré-Cinemas e Pós-Cinemas escrito pelo professor da USP e PUC Arlindo Machado. O livro é tão bom quanto as aula que assisti com ele. A primeira parte do livro fala do pré-cinema e dos brinquedo óticos. A segunda, não tão interessante para mim, fala de anamorfoses cronotópicas e novas – não tão novas hoje em dia – criações artísticas que geram ilusões visuais.

O Cinema, Invenção do século, da historiadora francesa Emmanuelle Toulet está esgotado por aqui, mas pode ser encontrado na Amazon francesa. O livro é quase o contrário do primeiro, de Mannoni: é pequeno, com menos de 200 páginas, formato pequeno, cheio de imagens coloridas e papel especial. Delicioso de ler. Metade do livro é dedicado às invenções pré-cinema e a outra metade ao primeiro cinema, principalmente os franceses. Nem de longe tem tanto conteúdo quanto o primeiro, ou mesmo o segundo, mas é muito mais fácil de ler e mesmo de memorizar, graças às imagens. Se achar por aqui não hesite em comprar, ou mesmo importar – eu tenho uma versão americana e uma brasileira do livro de tão bom que é.

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