De 6 a 22 de novembro de 2009 a Cinemateca Brasileira nos apresentará uma pequena preciosidade através da mostra O Outro Lado do Muro: O Cinema da Alemanha Oriental. A retrospectiva é composta de dezoito titulos, produzidos pelos estúdios da companhia cinematográfica da República Democrática Alemã, a DEFA, durante os anos da Guerra Fria. A mostra marca os vinte anos da reunificação da Alemanha, levando à Cinemateca uma filmografia que, em seu conjunto, é desconhecida em nosso país.
Trata-se da mais ampla retrospectiva de cinema alemão oriental já exibida no Brasil. Dentre os destaques da programação estão filmes de diretores consagrados que, no entanto, nunca tiveram o merecido reconhecimento na maior parte do mundo ocidental, como Frank Beyer, Konrad Wolf e Wolfgang Staudte. Filmes como Eu tinha 19, Os assassinos estão entre nós, Jacob, o mentiroso e Carbid e Sorrel, mostram uma Europa recém-saída da guerra, alheia ao que viria a seguir. Essa lista de filmes, na qual se pode incluir também Nascido em 45, possui o mérito de mostrar o quanto a Segunda Guerra Mundial ficou marcada no imaginário europeu, em particular nos alemães, durante toda a segunda metade do século XX. Já obras como O Terceiro, Os Arquitetos e Rastros de Pedra tratam da realidade da parte oriental da Alemanha durante o período de influência da URSS.
A DEFA (Deutsche Film-Aktiengesellschaft ou, em português, Sociedade Nacional de Produção Cinematográfica), companhia que durante a maior parte de sua existência permaneceu vinculada ao Estado, foi criada em 1946 e se instalou nos estúdios de Babelsberg, em Berlim. Durante todo o período da Guerra Fria, foi a única estatal encarregada da produção de filmes na República Democrática Alemã (como também era conhecida a Alemanha Oriental). A DEFA foi especialmente ativa no imediato pós-guerra e, durante 45 anos de funcionamento, produziu algo em torno de 700 filmes de ficção e mais de mil documentários.
A seleção é composta de vários dramas, filmes de guerra, suspense, biografias, filmes históricos, mas há também comédias, romances e mesmo filmes cujo tema é a música. Cada um dos 18 títulos será exibido duas vezes na Cinemateca, todos com legendas em português. Entre os destaques, há o único filme da Alemanha Oriental indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Jacob, o mentiroso, dirigido por Frank Beyer; Nascido em 45, de Jürgen Böttcher, e O Coelho Sou Eu, de Kurt Maetzig, ambos ganhadores de duas menções honrosas no Festival de Berlim, depois da queda do muro.
Com curadoria de Liciane Mamede, a mostra chegará também ao Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, de 25 de novembro a 06 de dezembro. Mais informações sobre a retrospectiva visite o site da Cinemateca Brasileira, e sobre a DEFA: DEFA – Stiftung. Segue abaixo a programação por data.
06.11 – Sexta – Sala Cinemateca BNDE
19h00 Nu Entre Lobos (Nackt unter Wölfen)
21h00 Os Assassinos Estão entre nós (Die Mörder sind unter uns)
07.11 – Sábado – Sala Cinemateca BNDES
16h00 A Bicicleta (Das Fahrrad)
19h00 Os Arquitetos (Die Architekten)
21h00 Notícias do Ocidente (Es geht um die Wurst) | Berlim – Esquina da Rua Schönhauser (Berlin – Ecke Schönhauser)
08.11 – Domingo – Sala Cinemateca BNDES
17h00 O Terceiro (Der Dritte)
19h00 Os Assassinos Estão entre nós (Die Mörder sind unter uns)
21h00 Nu Entre Lobos (Nackt unter Wölfen)
10.11 – Terça – Sala Cinemateca BNDES
19h00 Um Grito Por Semana (Einmal in der Woche schrein) | O Caso Gleiwitz (Der Fall Gleiwitz)
21h00 Os Arquitetos (Die Architekten)
11.11 – Quarta – Sala Cinemateca Petrobrás
19h00 A Bicicleta (Das Fahrrad)
21h00 Nascido Em 45 (Jahrgang ’45)
12.11 – Quinta – Sala Cinemateca Petrobrás
19h00 A Segunda Plataforma (Das zweite Gleis)
21h00 A Lenda de Paul e Paula (Die Legende von Paul und Paula)
13.11 – Sexta – Sala Cinemateca BNDES
18h30 O Terceiro (Der Dritte)
20h30 Um Grito Por Semana (Einmal in der Woche schrein) | O Caso Gleiwitz (Der Fall Gleiwitz)
14.11 – Sábado – Sala Cinemateca BNDES
16h30 A Lenda de Paul e Paula (Die Legende von Paul und Paula)
18h30 Carbid e Sorrel (Karbid und Sauerampfer)
20h30 Rastros De Pedra (Spur der Steine)
15.11 – Domingo – Sala Cinemateca BNDES
16h30 Notícias do Ocidente (Es geht um die Wurst)| Berlim – Esquina da Rua Schönhauser (Berlin – Ecke Schönhauser)
18h30 Nascido Em 45 (Jahrgang ’45)
20h30 O Irmão Desconhecido (Dein unbekannter Bruder)
18.11 – Quarta – Sala Cinemateca Petrobrás
21h00 Jacob, O Mentiroso (Jakob, der Lügner)
19.11 – Quinta – Sala Cinemateca Petrobrás
19h00 O Irmão Desconhecido (Dein unbekannter Bruder)
20.11 – Sexta – Sala Cinemateca Petrobrás
18h30 Rastros De Pedra (Spur der Steine)
21h00 O Coelho Sou Eu (Das Kaninchen bin ich)
21.11 – Sábado – Sala Cinemateca Petrobrás
19h00 Jacob, O Mentiroso (Jakob, der Lügner)
21h00 Eu Tinha 19 Anos (Ich war neunzehn)
22.11 – Domingo – Sala Cinemateca Petrobrás
15h00 O Coelho Sou Eu (Das Kaninchen bin ich)
17h00 Eu Tinha 19 Anos (Ich war neunzehn)
19h00 Carbid e Sorrel (Karbid und Sauerampfer)
21h00 A Segunda Plataforma (Das zweite Gleis)
Ficha técnica e Sinopses
Os arquitetos (Die Architekten), de Peter Kahane
Alemanha Oriental, 1990, 35mm, cor, 97’ | Legendas em português | Exibição em DVD
Kurt Naumann, Rita Feldmeier, Uta Eisold, Jürgen Watzke
Filmado na época do desmantelamento da RDA, este sóbrio retrato da vida na Alemanha Oriental mostra um jovem arquiteto que sente sua vida e suas metas sendo estranguladas pelos dogmas do regime comunista – representado, em partes, pelas gerações mais velhas. A equipe do filme teve de reconstruir parte do muro de Berlim para filmar algumas cenas, visto que ele se esfacelou muito rapidamente.
sáb 07 19h00 | ter 10 20h30
Os assassinos estão entre nós (Die Mörder sind unter uns), de Wolfgang Staudte
Alemanha Oriental, 1946, 35mm, pb, 91’ | Legendas em português
Ernst Wilhelm Borchert, Hildegard Knef, Arno Paulsen, Elly Burgmer
Logo após a Segunda Guerra Mundial, uma jovem retorna de um campo de concentração e encontra Berlim em ruínas. Ao chegar ao seu apartamento, descobre que um médico já está vivendo lá. Sem outra alternativa, ambos são obrigados a compartilhar o apartamento e começam a perceber que têm muitas experiências a dividir. Este foi o primeiro filme alemão feito após a guerra.
sex 06 21h00 | dom 08 19h00
Berlim – Esquina da Rua Schönhauser (Berlin – Ecke Schönhauser), de Gerhard Klein
Alemanha Oriental, 1957, 35mm, pb, 82’ | Legendas em português
Ekkehard Schall, Ilse Pagé, Harry Engel, Ernst-Georg Schwill
Adolescentes se encontram numa esquina de Berlim Oriental para paquerar e compartilhar seus interesses pela música e pela cultura que é difundida do outro lado do muro. Clássico do teen cult dos anos 1950, o filme é um perspicaz retrato social de uma cidade onde a divisão política e econômica afetou toda a população. Apesar de controverso, o filme foi lançado com grande sucesso de bilheteria, para depois ser censurado pelo seu conteúdo “subversivo”. Esta obra, assim como outras da série denominada Berlin Films que também foram dirigidos pela dupla Klein (direção) e Kohlhaase (roteiro), deu uma importante contribuição ao cinema mundial e ao gênero teen em particular.
sáb 07 21h00 | dom 15 16h30
A bicicleta (Das Fahrrad), de Evelyn Schimidt
Alemanha Oriental, 1981, 35mm, cor, 89’ | Legendas em português
Heidemarie Schneider, Roman Kaminski, Anke Friedrich, Heidrun Bartholomäus
Logo depois de deixar seu emprego, uma mãe solteira se vê diante de graves problemas financeiros e acaba tentando cometer uma pequena fraude para conseguir dinheiro. Apesar do precioso retrato da vida cotidiana no regime socialista sob o ponto de vista de uma mulher, os órgãos oficiais da RDA foram intolerantes com esta obra, alegando que ela mostrava uma atitude inadequada do ponto de vista moral para um cidadão da RDA. Na Alemanha Ocidental, no entanto, o filme de Evelyn Schmidt recebeu muitos elogios por sua visão crítica e pelo olhar feminista.
sáb 07 16h00 | qua 11 19h00
Carbid e Sorrel (Karbid und Sauerampfer), de Frank Beyer
Alemanha Oriental, 1963, 35mm, cor, 80’ | Legendas em português
Erwin Geschonneck, Kurt Rackelmann, Rudolf Asmus, Marita Böhme
No final da II Guerra Mundial, trabalhadores de Dresden enviam um colega centenas de milhas ao norte com a finalidade de conseguir material de solda para a fábrica. Para trazer os materiais, ele precisa penetrar através da zona de ocupação soviética, transformando sua aventura numa odisséia hilária e cheia de mal-entendidos. O roteiro foi encontrado por acaso por Frank Beyer, assim como o ator principal, Erwin Geschonneck. Ele interpreta um homem auto-confiante e de lacônico senso de humor que, por sua personalidade peculiar, acaba vivenciando situações incomuns. O ponto alto do filme acontece durante uma viagem pelo rio Elba, quando ele suspeita que patrulhas soviéticas e americanas se aproximam. Frank Beyer, primeiramente, levou seu filme para Moscou, já que os órgãos oficiais da RDA geralmente questionam o tipo de humor que mexe com as autoridades. As gargalhadas dos funcionários soviéticos deram o aval para que o filme estreasse na Alemanha.
sáb 14 18h30 | dom 22 19h00
O caso Gleiwitz (Der Fall Gleiwitz), de Gerhard Klein
Alemanha Oriental, 1961, 35mm, pb, 69’ | Legendas em português
Hannjo Hasse, Herwart Grosse, Hilmar Thate, Georg Leopold
Detalhada reconstituição do ataque surpresa realizado pelos nazistas a uma estação de rádio em Gleiwitz, em 1939. A culpa recaiu sobre o exército polonês e serviu como justificativa para Hitler marchar sobre a Polônia – dando início à Segunda Guerra Mundial. Frio e distante, o filme reflete as possibilidades e as técnicas de provocação e explicita como fatos e pontos de vista podem ser manipulados para fazer com que a opinião pública aceite mentiras, assassinatos e guerras. O diretor Gerhard Klein e seu cameraman, o tcheco Jan Čuřík, criaram uma impressionante linguagem visual para descrever o fascismo. Esta perspectiva esclarecedora sobre o que está por trás da força do autoritarismo e da violência foi recebida com resistência pelos oficiais da RDA. O filme foi acusado de estetizar o fascismo e, embora tenha escapado por pouco da censura, desapareceu depois de apenas algumas semanas em cartaz. Hoje, é considerado um dos mais modernos e experimentais filmes da história da DEFA.
ter 10 18h30 | sex 13 20h30
O coelho sou eu (Das Kaninchen bin ich), de Kurt Maetzig
Alemanha Oriental, 1965, 35mm, pb, 109’ | Legendas em português
Angelika Waller, Alfred Müller, Ilse Voigt, Wolfgang Winkler
A história da relação de uma jovem estudante com um juiz de caráter duvidoso que condenara o irmão dela por exercer atividades políticas subversivas. Realizado em 1965 para encorajar as discussões sobre a democratização da sociedade da Alemanha Oriental, este filme foi banido pouco depois pelo governo sob a alegação de que era anti-socialista, pessimista e expressava uma visão revisionista ao atacar o Estado. Esta obra emprestou seu nome a todos os filmes banidos em 1965, que se tornaram conhecidos como Rabbit Films. Depois de 1989, o filme foi bastante elogiado como um dos mais importantes e encorajadores filmes feitos pela DEFA.
sex 20 21h00 | dom 22 15h00
Eu tinha 19 anos (Ich war neunzehn), de Konrad Wolf
Alemanha Oriental, 1968, 35mm, pb, 115’ | Legendas em português
Jaecki Schwarz, Vasili Livanov, Aleksei Ejbozhenko, Galina Polskikh
A Segunda Guerra Mundial está praticamente terminada para a Alemanha. Tropas russas e americanas avançam pelo território. O soldado do exército russo Gregor Hecker tem 19 anos. Ele nasceu em Colônia, na Alemanha, seus pais são alemães e ele fala alemão fluentemente. Apesar disso, o rapaz parece não se indentificar mais com sua terra natal. Ver de perto a queda do país do qual pouco se lembra, pode ter um impacto decisivo em sua vida. Seu confronto com o passado não poderia acontecer em um momento mais aterrador. Um filme bastante pessoal, já que teve situações inspiradas no próprio diário de Konrad Wolf, que foi mantido junto ao Exército Vermelho e testemunhou os últimos dias da Segunda Guerra Mundial.
sáb 21 21h00 | dom 22 17h00
Um grito por semana (Einmal in der Woche schrein), de Günter Jordan
Alemanha Oriental, 1982, 35mm, cor, 15’ | Legendas em português
Um sensível retrato da juventude rebelde da “selvagem” Berlim Oriental. O título deste filme foi retirado de uma canção escrita por Günter Jordan e um grupo de rock da Alemanha Oriental chamado Pankow. Ele foi proibido logo depois de sua primeira exibição.
ter 10 18h30 | sex 13 20h30
O irmão desconhecido (Dein unbekannter Bruder), de Ulrich Weiß
Alemanha Oriental, 1981, 35mm, cor, 108’ | Legendas em português
Uwe Kockisch, Michael Gwisdek, Jenny Gröllmann, Bohumil Vavra
Após seu retorno dos campos de concentração de prisioneiros politicos, em 1935, um homem evita retomar contato com seu grupo de resistência, com medo de que seja espionado. Isolamento, medo, falta de companherismo e traição são os temas deste filme, um raro retrato psicológico do antifascismo que representou um marco na filmografia do Leste Alemão. Foi selecionado para competir no Festival de Cannes, mas sua inscrição foi retirada pelos oficiais da RDA, apesar de toda euforia em torno do evento. Ulrich Weiß, um talentoso diretor para quem esta obra representou um marco em termos criativos, acabou ficando extremamente decepcionado com todos os acontecimentos que envolveram seu filme e nunca mais dirigiu algo que estivesse à altura desta obra.
dom 15 20h30 | qui 19 19h00
Jacob, o mentiroso (Jakob, der Lügner), de Frank Beyer
Alemanha Oriental, 1975, 35mm, cor 100’ | Legendas em português
Vlastimil Brodský, Erwin Geschonneck, Blanche Kommerell, Manuela Simon
Em 1944, um judeu que vive escondido num gueto europeu ouve pelo rádio que o exército russo marcha em direção a eles. Para salvar o amigo de se arriscar pelas ruas por algumas batatas, ele revela o que ouviu. O problema é que ter um rádio, em seu gueto, é um crime punido com a morte. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1977, foi o único filme da DEFA a conseguir este feito. Em 1975, foi também indicado ao Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim.
qua 18 21h00 | sáb 21 19h00
A lenda de Paul e Paula (Die Legende von Paul und Paula), de Heiner Carow
Alemanha Oriental, 1972, 106 min., colorido, 35 mm
Angelica Domröse, Winfried Glatzeder, Heidemarie Wenzel, Fred Delmare
A história de um amor invencível entre uma mulher solteira e um burocrata casado. Muito conhecido também pela música da banda Puhdys, bastante famosa na RDA à época do lançamento do filme, este filme foi visto por mais de três milhões de espectadores e se tornou um dos filmes mais populares de sua época na Alemanha Oriental. Ainda hoje, permanece como um dos grandes cult movies produzidos na DEFA.
qui 12 21h00 | sáb 14 16h30
Nascido em 45 (Jahrgang ’45), de Jürgen Böttcher
Alemanha Oriental, 1966, 35mm, pb, 94’ | Legendas em português
Monika Hildebrand, Rolf Römer, Paul Eichbaum, Holger Mahlich
Os recém-casados Alfred e Lisa decidem divorciar-se, mas, antes, Alfred afasta-se por alguns dias para pensar melhor. Ele perambula por Berlim e conhece alguns estrangeiros. Realizada em 1965 e banida pela censura da RDA no ano seguinte, esta obra teve que aguardar até 1990 para poder ser exibida nas telas de cinema da Alemanha. Único filme ficcional do pintor e documentarista Jüngen Böttcher, que, inspirado pelo neo-realismo italiano, desenvolveu um estilo caracterizado pelo detalhismo da observação social com uma forte veia poética. Este filme pode ser considerado o equivalente alemão oriental das primeiras obras de Godard.
qua 11 21h00 | dom 15 18h30
Notícias do ocidente (Es geht um die Wurst), de Harald Röbbeling
Alemanha Oriental, 1955, 35mm, pb, 8’ | Legendas em português
Erwin Geschonneck, Hannelore Wüst, Horst Kube, Marianne Wünscher
Após ouvir pela rádio de Berlim Ocidental que salsichas envenenadas foram encontradas na Alemanha Oriental, um morador do leste fica desesperado, imaginando que um amigo seu possa estar morto por conta desse fato. Este curta-metragem representa uma série de quase 300 produções denominadas Stacheltiere (espinho), feitas entre 1953 e 1964. Ele é um exemplo da vitalidade da tradição de um estilo de sátira social e política que existia na Alemanha Oriental.
sáb 07 21h00 | dom 15 16h30
Nu entre lobos (Nackt unter Wölfen), de Frank Beyer
Alemanha Oriental, 1963, 35mm, pb, 116’ | Legendas em português | Exibição em 16mm
Erwin Geschonneck, Armin Mueller-Stahl, Krystyn Wójcik, Fred Delmare
História da tentativa de fuga de um grupo de poloneses judeus que vivem em um campo de concentração – cuja esperança para concretizar o plano reside num garoto de apenas quatro anos escondido numa valise. A história deste filme foi inspirada em um romance escrito por Bruno Apitz – que, por sua vez, havia sido inspirado no caso real de um garoto de quatro anos que escapou vivo de um campo de concentração polonês nas mesmas condições que o personagem deste filme.
sex 06 19h00 | dom 08 21h00
Rastros de pedra (Spur der Steine), de Frank Beyer
Alemanha Oriental, 1966, 35mm, pb, 139’ | Legendas em português | Exibição em 16mm
Manfred Krug, Krystyna Stypulkowska, Eberhard Esche, Johannes Wieke
Um trabalhador e um grupo de seus colegas passam a maior parte do tempo bebendo e fazendo arruaças na pequena cidade onde vivem. As coisas mudam de figura quando uma engenheira chega ao local para cuidar da obra na qual eles estão envolvidos. Este é um filme extremamente representantivo da burocracia e do moralismo que vigoravam na Alemanha Oriental. Para que o filme fosse lançado, o diretor Beyer teve que cortar algumas cenas – mas ele afirmou, mais tarde, que nenhuma das cenas suprimidas era realmente imprescindível.
sáb 14 20h30 | sex 20 18h30
A segunda plataforma (Das zweite Gleis), de Joachim Kunert
Alemanha Oriental, 1962, 35mm, pb, 80’ | Legendas em português
Albert Hetterle, Annekathrin Bürger, Horst Jonischkan, Walter Richter-Reinick
Inspertor de uma estação ferroviária testemunha um roubo. Quando não consegue denunciar um dos cúmplices, ele começa a rememorar fatos que remetem a um fracasso anterior: quando foi incapaz de se posicionar contra as perseguições nazistas, durante a Segunda Guerra. Único filme da Alemanha Oriental a abordar o tema dos nazistas que, posteriormente à Segunda Guerra, levaram uma vida normal na RDA. Essa temática bastante sensível foi uma das razões pelas quais o filme foi exibido nos cinemas apenas em raras ocasiões. Expressivas e marcantes imagens em preto e branco intensificam a história de culpa, repressão e esquecimento que fazem desta obra uma verdadeira descoberta.
qui 12 19h00 | dom 22 21h00
O terceiro (Der Dritte), de Egon Günther
Alemanha Oriental, 1971, 35mm, cor, 111’ | Legendas em português
Jutta Hoffmann, Barbara Dittus, Rolf Ludwig, Armin Mueller-Stahl
Uma série de flashbacks retratam os 18 anos de vida da liberada Margit – que, após duas relações fracassadas das quais nasceram duas crianças, começa a repensar sua trajetória. Uma nova e despretensiosa aventura amorosa com um colega acaba sendo o gatilho para essa revisão do passado. A história de Margit não deixa de ser um testemunho que tem como pano de fundo a história de auto-afirmação e independência das mulheres na RDA. Jutta Hoffmann foi indicada ao prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza em 1972 por este filme, em que contracena com Armin Mueller-Stahl – posteriomente indicado ao Oscar pelo filme Shine – Brilhante.
dom 08 17h00 | sex 13 18h30









