O papel da crítica é debatido na 31ª Mostra

Serge Daney

Um dos grandes destaques da 31ª Mostra Internacional de Cinema são os debates sobre o papel da crítica no cinema. Durante a coletiva de imprensa, no último sábado, Leon Cakoff afirmou que a cinefilia está em crise e por isso mesmo esses debates são tão importantes. Os debates terão como base o pensamento do crítico francês Serge Daney, que foi editor da Cahiers du Cinéma nos anos 70, falecido em 1992. Os debates serão conduzidos pelo crítico e escritor Serge Toubiana, atual diretor da Cinemateca Francesa e que foi colaborador de Daney.

O atual diretor da Cahiers du Cinéma, Jean-Michel Frondon apontará dentro da seleção da Mostra desse ano quais os filmes contemporâneos que segeum o pensamento e as coordenadas estéticas e filosóficas deixadas por Daney.

Ao lado de Georges Sadoul e de André Bazin, Daney tornou-se o pensador de cinema mais influente de seu país, cultuado por escritores como Marguerite Duras e filósofos como Gilles Deleuze, que lhe dedicou um famoso artigo (também utilizado como prefácio no segundo livro do crítico, Ciné-journal, de 1986).Daney foi o principal responsável por reconduzir os Cahiers para o campo da análise cinematográfica, após fase radical de orientação maoísta, de 1968 a 1972, quando a tradicional revista na qual colaboraram Godard, Truffaut, Rohmer, Rivette e tantos outros passou a tratar sobretudo de política.

A Rampa

Juntamente com os debates, e a retrospectiva em torno de Daney, acontece o lançamento do livro A Rampa (La Rampe), publicado pela Cosac Naify em parceria com a Mostra. Originalmente publicado em 1983, o livro reúne artigos e críticas escritos por Daney entre os anos 1970 e 1982 para a Cahiers. A edição brasileira terá dois prefácios especiais escritos por Serge Toubiana e Jean-Michel Frodon. O livro de capa dura, com 248 páginas e 12 fotos será lançado por R$ 65,00.

Os ensaios reunidos em A rampa, livro organizado pelo próprio autor, pontuam claramente esse “retorno” e um enfoque menos ingênuo sobre o poder transformador da linguagem de cinema, o que se torna ainda mais claro nas introduções às diversas seções, acréscimos importantes às ànalises selecionadas das páginas dos Cahiers.

A rampa – titulo que alude ao espaço arquitetônico da “ribalta” nos antigos teatros convertidos em cinemas – constitui uma espécie de “canteiro de obras teórico”, como assinala o prefácio escrito especialmente para a edição brasileira pelo atual diretor da revista Cahiers, Jean-Michel Frodon.
Exibe fortes marcas de pensadores importantes à época, aliando a análise cinematográfica a conceitos emprestados de Jacques Lacan, Louis Althusser, Roland Barthes e Gilles Deleuze.

O lançamento está previsto para dia 24 de outubro de 2007, quarta-feira, e contará com a presença de Serge Toubiana, Luiz Zanin Oricchio e Inácio Araújo, entre outros.

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