Octuor de France se apresenta na 32ª Mostra

O Homem que Ri

A Mostra nos traz grandes novidades de outros países, muitas vezes filmes que nunca mais veremos por aqui. O festival propõe não só fazer um panorama do cinema mundial, mas também resgatar grandes mestres do cinema de todos os tempos.

Desde de que comecei a frequentar a Mostra, em sua 23ª edição, lembro de encontrar entre os selecionados filmes mudos. Lembro dos fabulosos filmes de Louis Feuillade na 24 ª Mostra, da versão restaurada de ver Ouro e Maldição, de ver os filmes de Mauritz Stiller, Victor Sjöström e outras preciosidades ao longo dos anos. Para mim esses filmes sempre vem antes de qualquer vencedor de Cannes.

Nos últimos anos, além da fantástica oportunidade de ver esses filmes pela primeira vez no cinema a Mostra adicionou um toque nostálgico e que deu ainda mais brilho a estas exibições: música ao vivo. De acompanhamentos com um pianista, até uma orquestra acompanhando as exibições, do modo como deve ser. Filmes mudos nunca foram silenciosos, como muitos de vocês já devem saber, havia sempre um piano acompanhando, às vezes um cantor, às vezes um narrador, ou cantores, nunca o silêncio total.

A 29ª Mostra encerrou com duas apresentações do clássico do cinema soviético O Encouraçado Potemkin, acompanhado de uma orquestra. Ano passado Tabu, de F.W. Murnau foi apresentado com acompanhamento musical de Paulo Braga. Infelizmente o número de filmes mudos na Mostra vêm diminuindo a cada ano.

L'Octuor de France

Esse ano haverá apenas duas apresentações de clássicos do cinema mudo com acompanhamento musical. Entretanto, as apresentações parecem ser imperdíveis, com acompanhamento de L’Octuor de France, a convite do Consulado da França, em São Paulo. Com um nome brilhante, o grupo francês composto por oito músicos foi formado em 1979 pelo clarinetista Jean-Louis Sajot. O Octuor é especializado em duas áreas: música de câmara a partir do século XVIII e “projeções-concerto”.

As projeções-concerto acontecem desde 1998. Nelas clássicos do cinema mudo são acompanhados por composições originais de Gabriel Thibaudeau e Antonio Coppola criadas especialmente para os filmes. O grupo já se apresentou na Quinzena dos Realizadores, do Festival de Cannes; no Festival do Filme de Bolonha e no Festival de Montreal, entre outros.

Poil de Carotte

O Octuor apresentará na 32ª Mostra os filmes Poil de Carotte (1925), de Julien Duvivier, e O Homem Que Ri (1928), de Paul Leni. As peças que serão executadas em São Paulo são de autoria do compositor Gabriel Thibaudeau e fazem parte do catálogo de apresentações do grupo. O Homem que Ri teve sua estréia mundial no Festival de Cannes de 1998, inaugurando as “projeções-concerto”.

Curiosamente os dois filmes são baseados grandes livros da literatura francesa.O Homem Que Ri é baseado um dos escritos mais obscuros de Victor Hugo, L’Homme qui rit. E Poil de Carotte baseia-se no livro homônimo autobiográfico de Jules Renard.

As apresentações acontecerão no Cinesesc no dia 26 de outubro às 20h20 e dia 27 às 21h10 respectivamente. Os ingressos já podem ser trocados, no caso de pacotes, ou adquiridos online. Não é nem preciso dizer que as apresentações serão o crème de la crème da Mostra.

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