Problemas durante a 31ª Mostra

Fila no primeiro dia da venda de pacotes de 31ª Mostra

Mais de 400 filmes, 14 dias de programação, uma porção de eventos paralelos, 19 salas participando (não incluindo o vão livre do MASP), dezenas de convidados, mais um local para retirada de pacotes, lounge aberto para debates sobre cinema e seus rumos, e uma vasta e diversa cinematografia presente através dos filmes. Parece tudo lindo e maravilhoso, pena que também há um lado ruim.

A Mostra melhorou muito nos últimos anos, mas ainda há muita coisa a melhorar. O problema é que esse ano várias coisas andam dando muito errado. Filmes que são programados e acabam sendo substituídos por outros eu entendo. Pequenos atrasos também. Porém, alguns problemas que vi até o momento poderiam ter sido evitados ou amenizados.

Venda de pacotes

Conforme descrevi na entrada Calvinball no 1º dia de venda de pacotes para a 31ª Mostra, o primeiro dia de venda de ingressos foi tumultuado, muito, mas muito mais do que o normal. Em nenhum dos últimos anos em que fui acompanhar o pessoal para comprar os pacotes (de 20) no primeiro dia vi tanta desorganização. Primeiro poderiam ter mantido o sistema de entrega de credenciais (crachás) do ano passado, pois colocar as filas no meio de escada rolantes, com pouquíssimo espaço foi péssimo.

Poderiam também ter distribuído senha para as pessoas que queriam os pacotes de 20, porque já que o sistema estava com problema e o computador destinado para isso também, além das credenciais que só saíram horas depois, pelo menos as pessoas poderiam ter pego uma senha pra ir comer e voltar mais tarde. Ou mesmo outro dia.

Podiam também ter avisado a cada uma das pessoas ao que elas tinham direito conforme o pacote, como é caso de quem tem um pacote de vinte, e pode retirar gratuitamente a programação e o poster. Eu tive que perguntar o que tinha direito com a minha permanente e mesmo assim não me avisaram tudo.

Festa

No dia 18, depois da abertura da 31ª Mostra aconteceu uma festa na Casa das Caldeiras, destinada a convidados e a quem tivesse a permanente, mas ninguém me avisou coisa alguma no dia em que a comprei. E duvido muito que tenham avisado a outros que também a adquiriram. Não paguei barato: R$360,00 e mesmo que digam que tenho direito a assistir a quantos filmes quiser não é bem assim que funciona, já que há distâncias, horários e sessões que atrasam.

Perguntei três nos primeiros dias de venda na Central da Mostra sobre a abertura: não sabiam me informar. Dias depois disseram que teria direito a festa. E onde é? Que horas e como faço para entrar? Resposta alguma, nem mesmo a assessoria de imprensa falou sobre o local ou horário. Ou seja, perdi, basicamente porque não passaram a informação.

Filme espetáculo de Guy Maddin: Brand upon the brain

Muito antes da venda de ingressos eu já perguntava para a assessoria de imprensa sobre os ingressos para o filme espetáculo de Guy Maddin Brand upon the brain que será apresentado no Sesc Pinheiros dia 23. Quando a programação saiu, a primeira coisa que fui perguntar por na Central da Mostra foi isso. Ninguém sabia informar. É uma sessão sem horário, pois é um evento a parte.

Dia 18, quando fui retirar meus ingressos para algumas sessões, perguntei mais uma vez. O rapaz que estava me atendendo não sabia, mas foi perguntar. Havia uma aviso sobre a compra de ingressos do filme, incluindo um aviso que portadores da permanente integral teriam direito a um ingresso gratuito. Entretando, a venda é efetuada apenas nas unidades do Sesc. Dirigi-me ao Sesc mais próximo, o Cinesesc, e esperei a bilheteria abrir, às 13 horas. Sendo a primeira da fila pude escolher o melhor lugar para sentar, dos aproximadamente dois terços de lugares que haviam sobrado.

Pois é, a venda de ingressos havia começado às 10 horas da manhã, sem nenhum aviso prévio, e aposto que boa parte desses ingressos é destinado para convidados e imprensa. Somente no dia seguinte, 19 de outubro, a Mostra avisou no site sobre a venda desses ingressos. Agora imagine quantos devem ter sobrado, se sobraram. E quantas pessoas que compraram a permanente e tinham direito ficaram sem. E quantas outras estavam esperando uma informação sobre isso e acabaram não conseguindo comprar.

Atrasos de meia hora

Eu realmente fiquei surpresa ao constatar que nos últimos anos as sessões estavam começando com pouquíssimos atrasos, e boa parte das vezes era devido à presença do diretor e elenco falando antes do filmes. Ou seja, por um bom motivo. Atrasos de 10 minutos são esperados nesse tipo de evento, quinze quando há o diretor. Mas meia hora é um pouquinho de mais.

As sessões que assisti no sábado estavam um pouco atrasadas, coisa de quinze a vinte minutos. As sessões do Espaço Unibanco de ontem, dia 21, estavam com meia hora de atraso. Cheguei para um filminho às 17horas, sem comer, para passar o tempo, já que o que me interessava era a sessão seguinte. Meia hora depois eu ainda estava na fila, ainda sem comer, porque nunca imaginei que fosse atrasar tanto e ninguém se deu ao trabalho de avisar o pessoal que estava na fila do atraso.

Pelo que fui informada, quando perguntei três sessões mais tarde, o atraso já vinha desde a primeira sessão, ou seja, duas sessões antes, e portanto, já que não havia como acelerar os filmes, podiam ao menos avisar as pessoas que estavam na fila.

Catálogo

O catálogo da Mostra não é um artigo muito prático de se carregar, mas quase indispensável para quem vai participar da maratona de filmes. Como não são todos que têm tempo de ficar na frente do computador escolhendo cada filme, é muito mais fácil colocar o catálogo, um monstrinho esse ano, debaixo do braço, e sair lendo os resumos dos filmes e escolhendo os filmes, enquanto espera nas filas.

Todo ano os portadores da permanente têm direito a retirá-lo de graça. Nos anos anteriores ele podia ser retirado em quais lugares onde houvesse a venda de produtos da Mostra (catálogo, camisetas, canecas, programação, bolsa, etc.). Em alguns anos era só apresentar a credencial que eles faziam um pequeno picote na lateral, mostrando que você já havia retirado os itens aos quais tinha direito. Ano passado era preciso dar o nome. Esse ano a entrega é feita apenas na lojinha ao lado da Central da Mostra.

Parecia simples, pela que não foi. Primeiro você imagina que como só pode ser retirado lá o catálogo estará sempre disponível, já que não podemos retirar em outro lugar. Não. Fui no primeiro dia e o catálogo ainda não havia chegado. Tudo bem, é o primeiro dia, é assim mesmo e por isso se desculpa. Fui até o Arteplex pensando que poderia retirar o catálogo lá e recebi uma bela negativa: apenas ao lado da Central da Mostra. Pegarei meu catálogo no sábado pensei.

No sábado, por volta de uma da tarde lá fui eu de novo achando que obviamente os catálogos haviam chegado lá. “Acabaram” respondeu-me o rapaz. Perguntei se não havia como me dar um vale, ou alguma coisa assim para que eu pudesse retirar o catálogo em outro lugar e a resposta claro foi não, mas que podia levar a programação, à qual também tinha direito. Como a programação custa dois reais eu obviamente comprei na sexta mesmo.

Domingo cheguei por volta de três horas da tarde para retirar o tal catálogo. “Acabou”. Três dias indo lá, três dias perdendo meu tempo, pois poderia ter retirado os ingressos no Frei Caneca e não lá que vive cheio. Adicionado ao fato de que não me avisaram sobre a festa. Então resolvi reclamar sobre o catálogo, já que todas as vezes me falavam “volta mais tarde”, como se eu fosse ver sessões no CineBombril, sendo que há outras várias salas. Não há como voltar mais tarde, já que as sessões demoraram, não sobra nem tempo para comer e ainda estaria sujeita a passar mais tarde e os catálogos já terem mais uma vez acabado.

Reclamei, falei sobre a falta de informações, sobre a desorganização, sobre o fato de ter passado lá em três dias diferentes e não conseguir pegar, que já era o terceiro dia da Mostra e eu não podia escolher os filmes porque estava sem ele e que queria poder pegar em algum outro lugar. Depois de algum tempo uma das monitoras me disse que eu podia retirar o catálogo que já estaria reservado no Espaço Unibanco.

Agora fica a minha pergunta: não era muito mais fácil entregar algum papel com um vale, para que cada um retirasse na sala mais próxima, já que lá, onde eles deveriam estar o tempo todo, acabavam mais rápido que os outros locais? Falta de papel para imprimir é que não foi.

Debates

Como eu faço para participar do debate? “Ah, ele é aberto. Basta retirar uma senha um hora antes do filme antes dele ou do debate”. Engano, puro engano. A impressão que eu tive é que ninguém sabe ao certo como funcionam as senhas para debates. Pensei em participar dos debates na FAAP no sábado mais desisti, pois tinha medo de chegar lá, assistir ao filme e não conseguir senha para os debates. Sorte minha.

Uma das leitoras desse blog (ou visitante) postou um comentário falando sobre a desorganização na entrega de senhas.

eles me informaram que o evento seria aberto ao publico e que 1 hora antes do mesmo, marcado para as 19h30, seriam distribuídas as 300 senhas. […] Não satisfeita, liguei para a Faap 3 vezes durante a semana para confirmar tal informação… Inclusive, no sábado de manhã.

Mesmo considerando as informações que me foram prestadas via telefone, cheguei na Faap às 16h40 no sábado

O resumo da história é que ela não conseguiu entrar, pois de acordo com as monitoras da Mostra as senhas haviam sido distribuídas às 13 horas. O que significa basicamente que quem foi ao filme e depois debate do Lelouch conseguiu entrar. Quem foi para os do Gael García Bernal não. E, eram apenas 25 senhas e para um debate que, como já era de se imaginar, super concorrido.

Se o debate era destinado principalmente aos alunos, que provavelmente devem ter retirado senha antes, deviam ter avisado antes o público e não ter dito que era “aberto”. 25 não corresponde a aberto ao público. Segundo, entregar senhas para quem chega duas sessões antes não acontece em nenhum outro festival e não acontecia na Mostra. Você chega para uma sessão mais cedo e assiste aquela.

Todos os anos que participei do festival de curtas, quando queria assistir a próxima sessão tinha que sair e entrar mais uma vez na fila. É uma questão de respeito e igualdade para todos. No Anima Mundi, quando era gratuito, funcionava do mesmo modo: fila, sessão, e outra fila para outra sessão.

Já me programei para participar do debate sobre o papel da crítica. De acordo com a organização é só ir até o “lounge” e participar. Sairei da minha sessão, também no Frei Caneca, quinze minutos antes. Imagino que nesse caso será tranqüilo. Assim como o debate com Mojica, que tem até número de sessão, mas que não é possível retirar ingressos antes.

Resumindo: o pessoal da Mostra poderia ter se organizado melhor e avisado antes diversas coisas sobre o evento. A impressão que eu tenho, no final das contas, é que a Mostra mostrou nesse ano uma imensa falta de respeito com quem a freqüenta. Não dos monitores, que tentam ao máximo ajudar o público e resolver os problemas, mas da própria organização, que não passa essas informações de forma detalhada e antecipada, ou mesmo passa informações erradas, quando as passa. É uma imensa falta de respeito com quem realmente faz o evento continuar acontecendo: o público.

Mais informações sobre a 31ª Mostra Internacional de Cinema na categoria Mostra.

About Bibi